Posts Tagged ‘saudades’

um fim de semana para não pensar

10/08/2010

almoço com as amigas, sábado, missa com a mãe, tapioca na sé, livraria cultura, estreia de uma peça na cidade, reuniãozinha na casa (nova) de amigos, dorme, diana, dorme… café da manhã na padaria, livraria cultura, feira, demorar beeem muito escolhendo as frutas, jantar com o pai no dia dos pais na (pizzaria, claro) Gondola-não-consigo-dizer-tomaselli, coloca os meninos para dormir e, antes de deitar, ler, ler, ler, até os olhos desfocarem o papel na sua frente. até que enfim, segunda-feira. chove no recife.

antídoto: try a little tenderness – otis redding

:)

31/03/2010

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Há coisas que são da ordem da dor. Não interessa o que você faça, o quanto mude, sua capacidade de racionalizar, sua perspectiva de fazer diferente. Meses vão passar, os dias vão nascer cada vez mais bonitos, os caminhos serão melhores. Não importa. Em algum lugar, certas coisas vão doer para sempre. Não se trata de mágoa, raiva guardada, rancor. É apenas dor. Às vezes, elas anunciam. Começam a doer ainda antes. Às vezes elas se guardam. Latejam só quando chove. Ou em noites de lua cheia. É como bala alojada que inflama no inverno. Dor de dente no frio. Ressaca de manhã cedo. Em algum lugar, certas coisas vão doer sempre. Mesmo que tudo passe. Mesmo que o mundo gire. Mesmo que você morra. Algumas coisas vão doer para sempre.

29/03/2010
Quarta-feira, Abril 30, 2008

esse e-mail é para a moura

que insiste em desaparecer
tu não vai pra tamandaré
e a gente vai sentir saudade de você

eu só queria saber mesmo
é como você está?
se já está trabalhando
ou tá deitada no sofá

eu queria também te falar
que esse banzo não tem nada a ver
se tu tá com algum problema
ou resolve ou manda se fuder

eu quero de volta a minha moura
a minha moura que sorri comigo
porque no mundo a coisa mais linda
é sorrir com quem é amigo.

e ainda rima, vê!

(de diana meira para mim, a moura.
porque as dianas são foda!
também te amo muitão, dida!
porque existe um sol em alguma
direção quando se tem amigos
assim feito tu! mil beijos)

29/03/2010

um dia, ainda vou escrever um livro infantil
beeeeem infantil

uma fortaleza por fora. castelo de areia por dentro. poderia abrigar o mundo, mas poucos conheceriam sua delicadeza. paredes finamente polidas, tijolos desenhados com gravetos, um fosso de mentirinha e as mais altas torres de brincadeira que alguém já viu. era ali que ela morava desde sempre. desenhava janelas para a princesinha que vivia lá dentro. não conhecia quase nada no mundo, tomava banho de sol e sonhava com príncipes em cavalos alados. alguém que fosse capaz de lhe adivinhar os desejos. suco de maracujá gelado no verão. leite com chocolate quente no inverno. assim sem mistério. enquanto ele não vinha, ela brincava de proteger o seu castelo do vento. passava os dias na praia, à espera de uma garrafa que lhe trouxesse uma carta, uma mensagem, um sinal… e as noites a olhar para o céu, aguardando o príncipe e contando as estrelas.

27/03/2010

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

2.janeiro.2008

eu ainda não sei se entendi direito. às vezes a gente passa por essa vida sem se dar conta. tinha os olhos mais brilhantes que já conheci. sorriso delicado. uma barba enorme escondia um rosto de menino. inteligente como poucos. brilhante. e às vezes rabugento. precisava de ajuda, mas abraçava como se pudesse salvar o mundo. foi ele quem me deu a minha música de presente, e fotinhas de ‘a dupla vida de veronique’, e os melhores baldes de sorvete – que eu só olhava enquanto ele tomava –, e os melhores diálogos de ‘era uma vez na américa’, e as melhores discussões sobre ‘lavoura arcaica’. tinha um gosto bonitinho para mulheres. elogiava pequenas imperfeições como se fossem jóias escondidas. belezas inusitadas que só ele conseguia ver. escrevia como mais ninguém. engolia palavras, invertia ordens. me deixava assim uma leitora perdida, tateando surpresas no meio das frases. era capaz de coisas incríveis. “irritado. cais de santa rita até espinheiro. a pé. dois reais no bolso. táxi não. assaltado ainda. porque eu não tenho uma cate blanchett de calcinha comendo chocolate?” algumas vezes, tentei. noutras, me omiti. hoje, eu sinto uma saudade imensa dos olhinhos. hoje é tarde demais. eu queria pedir desculpas. eu gostava muito dele. muito. às vezes a gente passa por essa vida sem se dar conta.