08/05/2009
Terça-feira, Abril 19, 2005

se eu contasse, você não acreditaria
ah, é porque ela é assim mesmo. usa reticências demais. e parênteses. se esconde nas entrelinhas imaginando que nunca será revelada… mas fala muito e tanto sem pensar. quando vê, as palavras estão todas ali, esparramadas. são como as contas de um colar de pérolas que se partiu. as bolinhas soltas, rolando no chão, escorrendo pelas escadas, caindo nos bueiros, como se sangrassem. ah, ela não consegue guardá-las consigo. sabe da preciosidade dos silêncios, mas eles lhe escapam. e ela morre por isso. como se dormisse, mas ela morre (até a próxima fala). porque calando ela nega a si mesma. e é difícil viver e negar. e ela vive. intensamente cada minuto. como se o próximo dependesse da força do agora para nascer. mas teme. e se envergonha. e nunca deixa de viver (mesmo assim). de dor em dor, coleciona passados. mesmo que nunca tenha conseguido alcançá-los. acredita neles. são como o ar que entope seus pulmões de poluição. no meio da fuligem que forra suas veias, ela vê. está bem ali. por ver demais, ela pede desculpas.

by Bonina

08/05/2009
Segunda-feira, Abril 18, 2005

meu próprio apr
shows:
los hermanos (top 1 – é amor)
superoutro
the legendary tiger man
leela
orquestra manguefônica (top 2 – é potência)

melhores momentos:
não tô nem aí para o placebo (blasé)
o rei da coxinha – com catupiri (baixaria)
entrevista relâmpango com o tiger man (trabalho)
me ensina a assoviar (incompetência)

piores momentos:
um monte de banda poser
ter perdido massacration e retrofoguetes (não fui no sábado)

vou me redimir:
tá, eu gostei de dois covers do beatles (mas eram covers, tá?)

08/05/2009
Sábado, Abril 09, 2005

era uma menina
era uma menina com uma caixinha de música. guardava uma bailarina, chave de diário secreto, anel de confeito, brinco de ouro, batom roubado da mãe, um arrependimento, duas frustrações, três medos, quatro ou cinco sonhos para o futuro e música. queria ser bailarina, queria ser trapezista, queria ser um anjo, queria morar sozinha. já tinha conseguido o último. mas às vezes aquilo dava um medo. medo assim de escuro, de medo, de solidão. e era tudo tão sozinho ali na caixinha de música. ah, mas um dia ela achou um espelho. era bonita aquela menina. era bailarina. levinha assim, ó. um sopro de menina. tinha a melhor saia do mundo, a bailarina. era pequena (mas era linda). ficava zangada (ainda mais linda). e às vezes chorava (aaah, bailarina). aí ela ouvia música. o tilintar da caixinha… ah, menina, um soprinho assim, ó… ô bailarina, sai do espelho menina que eu tenho tanto pra te mostrar.

08/05/2009
Sexta-feira, Abril 08, 2005

bora brincar de imitar yellow, que imitou irina?
e se o fim do mundo fosse hoje (já que eu nem falei do papa), eu queria que fosse com uma música assim, ó, com alguém cantando assim pra mim (mesmo que eu não tenha eyes black as coal…). a letra completa tá aqui, e o dono dela, claro, é nick cave.

and all the drunks pouring out of the dance halls
staring up at the smoke and the flames;
and the blind pencil seller waving his stick
shouting for his dog that lay dead on the side of the road;
and me, if you can believe this,
at the wheel of the of the car
closing my eyes and actually praying;
not to God above but to you, saying:

Help me, girl; help me, girl
I’ll love you till the end of the world
With your eyes black as coal
and your long dark curls

 

 

08/05/2009
Quarta-feira, Abril 06, 2005

desinventário
tinha um jeito estranho de entrar sem fazer barulho. mãos suaves, nem ruído de porta. corpo leve, os sapatos a ignorar o chão. chegava com sede e bebia a brisa ao lado da janela. observava o vôo das cortinas brancas sobre a rede azul-escuro, a pele brilhante dos azulejos estampados, a curva do rio ali adiante. a rua tinha ficado para trás, com seus barulhos, os movimentos alheios, a pressa, dois amores perdidos, um celular roubado, três livros que nunca lhe devolveram, uma chave que nunca achava na bolsa, e cento e poucos réis. era todo seu desinventário. sentia-se leve. dormiu ali, naquele mesmo instante, e teve um sonho bom. paira assim há 36 meses. um jeito estranho de não fazer barulho. ssssch, cuidado não acordar. 
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superestimar
v.1 t.d. atribuir (a algo) preço ou valor acima do razoável ou do vigente 2 t.d. atribuir (a algo ou alguém) qualidades ou características acima das reais.
foi o houaiss que disse 
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dormir bem
banho morno
sabonete de mel
perfume de lavanda

ah… e se vc tiver bebido muito, neosaldina também ajuda.

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clap clap clap
xxx, meu bem, seu aniversário foi uma delícia… diversão garantida ou seu dinheiro de volta! já tô me escalando para o próximo ano. a sessão madonna e britney foi a melhor. você sabe como apresentar pessoas.

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08/05/2009
Terça-feira, Abril 05, 2005

aderi a uma religião oriental
contei não? meu novo mantra é: preciso terminar a dissertação, preciso terminar a dissertação, preciso terminar a dissertação. (na verdade, leia assim: dissertaçáááuuuuoooommmm). Mas não funcionou até agora.
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e-mail lindo é isso
(as reticências…) aprendi a usá-las contigo, que não gostas das coisas finitas.
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tristeza é isso
eu tinha uma câmera digital emprestada. quer dizer, eu não tinha. agora eu não tenho mais ainda. porque tive que devolver (claro!). e agora não sei se a minha próxima compra vai ser meu ipod (o correto seria i-pode, hehehe) ou uma maquininha. e, seja lá o que for, vai demorar um tantinho. ai…

08/05/2009
Quarta-feira, Março 30, 2005
combinações imbatíveis (tudo isso por causa d’Ositio)

chocolate nestlé + formato de ovo de páscoa + meninas superpoderosas + reloginho de coração + ainda tem um todinho para mim !

praia + calor + muito calor + 30 graus + caldinho de caranguejo + cerveeeeeeeja

lugar bacana + comida bacana + gente bacana + conversa massa + viiiinho

festinha legal + música legal para dançar + gente legal para dançar com + jack daniel’s (que não dá sono)

amigos + noitada + qualquer bebida + master + música boa + conversa jogada fora

pense que não tenho do que reclamar
: )))

08/05/2009

claro que todo mundo já notou que todos os antigos (e os nem tão antigos assim) comentários sumiram, né? Deve ser a enésima vez que acontece isso por aqui. :(
paciência, amigos. (30 de março de 205)

08/05/2009

ah… tanto tempo sem vir aqui que até perdi o costume. tanta coisa aconteceu de lá para cá. mas estive tão feliz esses dias, que deu vontade de compartilhar. Foi quando eu soube que duas amigas há muito sem ninguém estão com caras legais. E dois caras legais, meus amigos, terminaram namoros por esses dias. Um tá bem tristinho. O outro se arruma logo logo. Mesmo assim, boa sorte a todos, para as histórias que começam e as que terminam, viu? saudades de todos.

05/05/2009
Quarta-feira, Outubro 27, 2004

era assim como se nunca. olhar no espelho e não se ver. pela janela, abismo. do beijo, saudade. do doce, passado. dos olhos, ternura. um ponto vazio e ainda por cima distante. começou a escrever uma longa carta. doía uma dor inconsolável. mas era tão baixinho que caía para dentro. ah, sofrer sem fazer alarde é um exercício de auto-piedade. deixa então eu me despedir? essa era a primeira vez na sua vida que gostaria de pular a parte da depedida. mas há depedida pior que um encontro casual depois de anos sem dizer adeus?

comentários:

Gravatar Filhotinha de Clarice Lispetor…isso
é que eu chamo de viagem sensorial…valeu como uma dose de vodka,aliás, uma bela dose…


Gravatar Triste, mas tão lindo…
:*


Gravatar Alguém disse que a felicidade não dá bons poemas… será? Seus textos (os que li aqui) são quase sempre tão tristes e, “et pour cause”, lindos.
Obrigada por sua visita (a primeira que recebi!)
Um abraço.
(Meu outro blog, mais antigo: http://www.kli.zip.net)


Gravatar ai, kliz, eu acho que a beleza é que é meio triste. sei não :)

moça com brinco de pérola

05/05/2009
Terça-feira, Agosto 31, 2004
moça com brinco de pérola (ou sobre sentimento contido 2)

não, não chegaria nunca, porque veio antes o momento breve da despedida, que também não houve. não, não bastaria nunca, porque nunca se pode parar depois do primeiro beijo. não, não passaria nunca, a febre, de tê-lo tocado com os olhos, se o visse com as mãos uma única vez. não, não poderia nunca sentir tão perto certas palavras doces, sem que lhe perturbassem para sempre os ouvidos. não, não poderia nunca beijar, dele, as mãos, nem lamber-lhe os pulsos, sem que depois não fosse castigada pelo vício e pelo veneno. não, não ousaria nunca, roubar, dos longos cabelos, o perfume ácido e químico, pois, se o fizesse, são saberia mais respirar sem eles. O tempo, longas pausas, o tempo, seus pensamentos, o tempo, e o seu desejo. era tudo o que ela podia dispor, dele, sem que lhe fosse decretada a morte de amor intangível…

 

comentário:

 bonina botando no gogó!

já te falei, já conversamos sobre esse teu post, já te disse que ele me dá frio na barriga e afins, mas preciso registrar aqui: perfeito.

você não gosta mais d’o sítio, mas o sítio ainda gosta de você, moçóila!

beijo grande,

Dolls

05/05/2009
Sexta-feira, Junho 11, 2004

Dolls (ou sobre como hoje estou fatalista)

E se um dia, e se um medo enorme, e se não. Porque todas elas evaporam feito éter. E agora? É só um vazio. Um nada dentro e em volta. E então ela tinha voltado ao começo, mas ela nunca sabia por onde começar. Noites em claro. Barulhos horríveis. E uma dor que não tinha como. Lágrimas, lágrimas, lágrimas? Ela implorava, mas nenhuma. No surprises. Talvez fosse para arrancar da pele. -E se não? -Vai doer muito. -Mais do que já está doendo? (olhar) Assim, arranque. (pausa) Eu não consigo. -Fraca. Ela sentiu o desprezo se jogando na face. E ela precisava dormir para acordar. As noites não lhe davam trégua. -A saída, por favor? -Volte para o começo. Mas ela não sabia como começar. Pelo medo, é sempre pelo medo. -E se um medo enorme? -Não o desafie.

 

Comentários

angústia pouca é bobagem…


Gravatar será a TPM? E se não? Mas como, não? Como não? TPM nada, meus sentimentos – você não respeita meus sentimentos! TPM… Meu sentimentos! Meus sais, ai, meus sais!, nunca caber, nunca saber quando cabe, nunca saber… Você nunca sabe sentir, nem sabe mentir que sente meus sentimentos. TPM… Não venha com isso de TPM! São meus sentimentos, é tudo, não vês? Não, não vês, decididamente não vês. Tá, tá bom, pode ter algo a ver com meus seios inchados, com minha cara de bolacha, com esse cabelo horrível e, enfim, com a proximidade da minha menstruação… MAS NÃO VENHA QUERER ESCONDER SUA INSENSIBILIDADE FRENTE AOS MEUS SENTIMENTOS POR TRÁS DA PORRA DA TPM!

(E como cantaria júlia: “Minha namorada é uma aprimoramento, é um aprimoramento, é um aprimoramento…”)


Gravatar hahahahah!!!! mag, definitivamente, eu odeio e amo você. bjocas

ok. me convenceu.


Gravatar ei, gatchinha, bora brincar de atualizar?

beijo no quengo,

05/05/2009
Quinta-feira, Maio 20, 2004
à espera do Dia misericordioso

Dizem que se chama Ausência e que sente uma dor, eternamente, mas sem saber onde. Dizem que, às vezes, ela sente assim como se escorresse por dentro e não parasse mais. Então ela senta, senta e espera a saudade passar. Dizem que é como se ela tivesse um vazio, mas isso ninguém nunca viu. Quando era menina, amava as Manhãs de Sol. Acordava antes delas, todos os dias, e corria para o jardim à espera dos primeiros raios. Brincava de sol durante toda a manhã, até que as onze-horas trouxessem o prenúncio do meio-dia. Conhecia cada pedra das Manhãs de Sol, e brincava de catalogá-las. À noite, ansiosa, não dormia. Solidária, contava as estrelas que rasgavam o céu em busca das Manhãs – pensava ela. Acontece que um dia, o Dia, pai de todas as Manhãs, exigiu da menina um beijo. Um beijo em troca das Manhãs de Sol. Mas ela não queria, aquele beijo, não queria. Dizem que ele ficou muito bravo. De castigo, ele lhe deu a lua para tomar conta. Fê-la jurar que ela, a lua, jamais despencaria do céu. Se se quebrasse, ele as mataria, as Manhãs de Sol, uma a uma. Agora, todas as noites, dizem que ela chora com as estrelas, agarrada à lua, à espera do Dia misericordioso em que possa, outra vez, ver as manhãs de sol. E talvez brincar com elas.

comentários

Belíssima fábula, bonina maria


Gravatar Mag, você é meu leitor número 1.


Gravatar Liiindinho.
E não de pouco lindo, mas de lindo singelo, leve e amoroso.
Lindinho
Lindinho
Lindinho.


Gravatar Jojo, você é que é linda, amore.
:)
e não é linda de pouco linda, não. Mas de muuuuito linda. Belíssima!

uma vez na vida, por favor, diga o que se quer ouvir

05/05/2009
Segunda-feira, Maio 17, 2004

uma vez na vida, por favor, diga o que se quer ouvir
(para o galego, chato, que fica me perguntando porque não escrevo)

faça o que você achar melhor. era sempre assim que começava nela uma certa tristeza. o que ela achava melhor? era ficar com ele. mas aquela frase era sempre permeada por um “sozinha”, que ficava subentendido nas voltas dos as e os mal pronunciados, e pareciam gritar nas palavras que ela queria não ouvir. mas é que mulher tem essa coisa de dobrar as camisas do marido quando ele viaja, só para sentir perto dele. mas, não, eles não podem perceber isso… faça o que você achar melhor é assim, se ela ficar é problema dela, se ela for é problema dela. se eles se divertem, ótimo; se ele não lhe der atenção, foi o que ela achou melhor. por que homem é incapaz de pedir um fica comigo por favor? eles estão certos. mulher é que tem essa coisa de ler os livros do marido quando ele não está, só para sentir a mesma poesia. faça o que você achar melhor? falta essa reunião e fica aqui até mais tarde. faça o que você achar melhor? escapa do trabalho duas horas mais cedo. faça o que você achar melhor? me beija. faça o que você achar melhor? se jogue da ponte, porra. ela odeia faça o que você achar melhor. faça o que você achar melhor é uma forma sonsa de dizer hoje não vai dar (e ela prefere o hoje não vai dar, diretamente e com todas as letras), é uma maneira cínica de colocar as coisas nos seus devidos lugares. aqueles lugares que ela nunca acha melhor. faça o que você achar melhor é uma promessa de impossibilidades. mas é que mulher tem essa coisa de continuar sentindo.

Comentários:

uma vez na vida, por favor, diga o que quer ouvir…

Não querendo perpetuar uma “guerra dos sexos”, preciso discordar frontalmente do teu texto, moça… Você já pensou na possibilidade de “faça o que você achar melhor” significar exatamente isso? Claro que algumas vezes nós esperamos determinados comportamentos e atitudes, mas quase sempre o cérebro estreito e simplório dos homens apenas quer que a mulher não arrume confusão e, por isso, prefere que ela faça exatamente o que quer, o que acha melhor…

Se vcs ficam ruminando possíveis significados obscuros e opressores por trás das nossas palavras, não temos muito a ver com isso…

Mas sabe como tudo seria mais facilmente resolvido? Se vocês dissessem o quê, exatamente, querem ouvir de nós… Facilitaria barbaridade a vida dos casais…

abraços
não-sexistas
do


Gravatar hahahaha… Mag, vc não existe. Faça o que vc achar melhor é o máximo do “ignore user” que se pode dar numa pessoa.


Gravatar Hummm, eu fico entre os dois comentários. O “faça o que vc achar melhor” pode ser usado como forte expressão de ignore, mas tb é como uma saída para evitar conflitos e deixar o outro um pouco livre para as decisões. O dia a dia em comum é assim, respeitando as vontades e individualidades. Mas claro que o “faça o que vc achar melhor” tem que ser usado com carinho, se não…


Gravatar êpa. “faça o que você achar melhor” NUNCA (entenderam? NUNCA!) vai servir pra evitar confusão. aliás, tá arranjando várias confusões ao mesmo tempo, porque: 1) é um saco tudo ter que ser decidido pela mulher; 2) a gente quer ouvir, porra, alguma coisa precisa; 3) podemos chegar num acordo; 4) faça o que você achar melhor é foda. (e eu poderia continuar até o número 30…)bonina, esse foi o melhor texto teu que eu já li, até agora. num pare não, mulé. mas faça o que você achar melhor. se não quiser postar mais nada, tudo bem… ;*

Rosa dos ventos

05/05/2009
Sexta-feira, Maio 07, 2004
Rosa dos ventos

Tudo começava soprando. Era um vento que vinha sem dizer de onde, passava pelas casas mesmo com as portas fechadas e avançava sobre as janelas a ponto de quebrá-las. Dava o que fazer até ele se acalmar. Ela prendia os cabelos e começava a reuni-lo. Suava horas seguidas, num esforço descomunal. Com os braços, ia empurrando as pancadas que se voltavam contra ela. O corpo inteiro tinha que usar, às vezes, para que as rajadas não escapassem. As brisas eram as mais perigosas. Pareciam suaves e doces, mas, cínicas, não se podia contorná-las senão com muita firmeza. É que as brisas fogem sorrateiramente, são capazes ainda de olhar nos olhos dela e sorrir enquanto passam pelas brechas, de mansinho. Quando ela via, já estava tomada por aquela mansidão, o pensamento longe, a pele arrepiada, os olhos fechados. Então, era preciso contê-las com severidade. Ela não podia brincar com as brisas. Se fosse para escolher, preferia os tufões. Esses batiam de uma vez, não dissimulavam. Mas obdeciam quando pressionados. Eles sabiam quando não podiam aparecer. Sabiam. Ela tinha consciência de sua força, por isso conseguia controlá-los. Eram imponentes. Ah, como amava a sinceridade dos tufões. Com eles travou suas melhores brigas, seu mais longos desacertos. Rodou no ar muitas vezes, até ser arremessada contra o chão e começar tudo de novo. Erguia os braços com autoridade e corria pelos campos abertos em que devastam os tufões. Terminava exausta. Mas tinha certeza de tê-los alcançado. Trancados num canto da casa, eles brincavam de girar até que ela esquecesse, novamente, o portão aberto. Posso sentir, agora, os passos dela levantando a grama do jardim. Que ventos será que trouxe com ela?

Comentários

Depois de ler o texto, quero sair correndo para a locadora e rever A Ostra e o Vento!
Lindo (re)começo, Bonina!
Bjsss


Gravatar Jojo, obrigada pela visita
: ))
bjs


Gravatar muito lindo, moça. Um tanto manoel de barros, um tanto Adriana Falcão e um muito Bonina…Jojô, A ostra e o vento é um dos filmes mais da porra que já assisti…Engraçado é que conheci a Leandra Leal neste Carnaval.

“Desculpa. Err… Eu não suporto tietagem, não costumo abordar famosos, e tal, mas precisava dizer que me apaixonei por você naquele filme, A ostra e o vento, se relacionando com Saulo (o vento) daquela forma tão infantil e meiga e sensual e terna…”

Do outro lado da minha vergonha, um sorriso amarelo global e uma olhada dicimabaixo – “Err… brigado” – me fizeram lembrar instantâneamente de todas as novelinhas idiotas que ela fez depois…

“Mas foi só naquele filme”…


Gravatar hahaha. Galego, você não existe. Ela é uma atriz linda, né? Amo A Ostra e o Vento, não entendo porque repercutiu tão pouco. A vi também na novela O Cravo e a Rosa (desculpem, ninguém é perfeito), e ela estava ótima também – hehehehe.


Gravatar ah, galego, desculpa não ter agradecido os “elogios” (sim, eu considero elogio, até adiana falcão), mas é que acho que eles não cabem a mim. bjos pra tu.
: ))


Gravatar Vamo brincar de dar prosseguimento às postagens, né, Bonina Maria?!?!


Gravatar Poxa, Galego, esse é só de sexta-feira!!! e nem sempre eu tenho tempo. desculpa.
: )


Gravatar bonina, peraí!o valor de “o cravo e a rosa” deve ser reconhecido. até eu (perceba o “até eu”) gostava de seu petruquiu (?) e dona catarina.mas vamos aos fatos:

1. galego suporta tietagem;
2. o texto é da porra, portanto, parabéns;
3. fico feliz com a sua volta, mulher!

por sinal, vai lá n’o sítio ler um texto que escreveram sobre vento, sopro e uma menina…

beijo grande pra você,


Gravatar Oi, Julia, você é sempre bem-vinda aqui, viu?
bjos!!!
(vou no sitio, sim)


Gravatar E agora, qual a sua desculpa pra escassêz de posts?


Gravatar Galgo,
juro por deus que quando vi que tinha um comentário a mais, sabia que era seu, e sabia o que dizia. A resposta talvez seja a falta de competência para tanto. hehehehe
bjslê:
http://www.digestivocultural.com…asp? codigo=1352

a última canção

05/05/2009
Segunda-feira, Maio 24, 2004

a última canção
(ou sobre lost in translation)

Ela sabia desde a primeira vez que ouviu que aquela era a música lenta da despedida. Ficou por ali, querendo partir, mas sem saber por onde começar. Mas ir embora não tem começo. É só levantar. Precisa nem olhar para trás. Acontece que ela estava imóvel. Os únicos músculos que conseguia mexer estavam na face, faziam-na chorar. Ela também respirava. E ainda havia o coração, que batia. E o descer de lágrimas, o vai-e-vem do peito e as batidas do seu coração se misturavam aos acordes daquela canção. E tornavam-na mais bela e mais triste. À sua volta, ela procurava qualquer coisa em que pudesse acreditar. Ela queria crer. Mas prova nenhuma não havia. Nem beijo, nenhum bilhete, uma chamada perdida no telefone, uma fotografia, uma pista sequer. Ela não tinha nem nada para levar consigo. Enquanto percebia, se levantava. Mas ela ainda não queria.

Comentários

Nunca se quer de verdade, mas se tem que ir, sempre…


Gravatar Ah, mag… à vezes se quer, sim! mas nem por isso é mais fácil.
bjs
: ))


18/09/2008
FOTO

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teste

18/09/2008

é só um teste

Hello world!

18/09/2008

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