Archive for the ‘Amor’ Category

dia zero, ano algum

02/08/2010

e como se todas as coisas tivessem sido tragadas para lugar nenhum, restou apenas um enorme vazio. Lento, denso, pesado, difícil de arrastar. ela se deixou ficar ali olhando, imaginando tudo o que teria que fazer, novamente, para repovoar de coisas aquele nada que silenciosamente se erguia a sua volta. então chorou. delicadamente. lágrimas que nasciam vivas e quentes brotaram de seus olhos sem parar. para depois morrer no decorrer da face.

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palavras

20/04/2010

há palavras que nos apunhalam enquanto dizemo-nas.

há palavras que nos rasgam por dentro enquanto vão do coração à boca.

há palavras que corroem as entranhas enquanto não saem, zumbem entre os ouvidos, arranham as veias. nos desesperam.

há palavras que não se aquietam enquanto não são vomitadas.

ocupam o lugar alheio, escapolem no lugar das outras, se arremessam contra os cantos da boca fechada.

há palavras se passam por aquelas não são. não dormem, não descansam, não desistem.

há palavras que não se exaurem nunca. doem-nos a cabeça, o corpo, os membros.

há palavras que nos atormentam, instalam-se no nosso sangue, nos atordoam.

há palavras que era melhor que não tivéssemos lido, visto, ouvido, escutado, conhecido, procurado.

há palavras deveriam ter nascido mortas, antes de chegarem aos dicionários.

desejos vagos

08/04/2010

uma vontade enorme de me reinventar. enorme. de apagar tudo e fazer de novo. de ser outra pessoa para encontrar eu mesma de novo.

para isso eu preciso de uma casa no chão (como diz davi), uma cozinha com varanda no quintal, uma horta, um cachorro, um jardim, fogão a lenha, panelas de barro, tempo livre, um computador com internet bacana que me dê receitas do mundo todo, um quarto com janela para o quintal, três dias livres por semana, tempo para os livros que eu preciso ler, e os amigos por perto.

o labrinto do fauno

08/04/2010

e o momento em que perdemos a inocência. quando deixamos de ser o que éramos antes, para nos tornar o que somos agora. e hoje eu não consigo entender porque demorei tanto para ver esse filme tão delicado. um conto de fadas. lindo.

04/04/2010

Domingo, Maio 03, 2009

Saudades,

Bem muitas…

04/04/2010
Sexta-feira, Abril 03, 2009

à luz da janela

Abriu os olhos devagar para não assustar o sol, que ainda dormia. Deixou a cama aos poucos, admirando aquela claridade que lhe saía pelos poros, uma felicidade que se expandia por dentro, cada milímetro, mas chegava serena e doce ao seu sorriso. O mundo lhe parecia mais calmo. A agenda, eternamente adiada, agora não fazia barulho. O quarto estava todo fora do lugar, mas a bagunça, desta vez, lhe abraçava acolhedora e confortavelmente. Deitou-se outra vez. Perdeu a hora. Adormeceu de novo. O barulho da rua embalava seus sonhos.

às dianas
:) 

04/04/2010
Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

branco neve

e fui retirando cada prego tosco do caminho. desenrugando os nós. alisando as quinas. aplainando as imperfeições. tudo branco. branco neve. branco zero. até doer nos olhos. e eu, que sempre fui uma moça de cores, saí desbotando todas elas. arrancando a pele. às vezes, fechar as feridas também dói. porque tem horas que você se apega a elas. mas fui assim nessa estrada que tenta voltar ao lugar nenhum. onde as coisas não eram ainda. assim como se fosse possível um pouco de nada para ver e para pensar. amanhã, eu começo a colocar os quadros de volta às paredes.

ps: dida, só porque tu pedistes, tá?
beijo!

04/04/2010
Segunda-feira, Junho 23, 2008

e aí, eu pensei, o tempo de lua cheia chegou…

31/03/2010

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Quando você tiver medo de sonhar, só lhe restarão pesadelos. Você construirá com eles fortalezas, muros, fossos e calabouços. Vai cobrir com o breu da noite masmorras pavorosas, trancar-se nelas e perder as chaves. Rezará todas as madrugadas, para que o dia nunca chegue, maldirá o sol e temerá o futuro como à morte. Vai tatuar no corpo páginas de calendários antigos, frases já ditas, pensamentos e desejos que morrerão consigo. Quando você tiver medo de sonhar, acordará louca e, de sua boca amarga, escorrerá veneno. Tudo em você serão presságios. O mundo lhe fechará as portas e as suas horas escorrerão vazias. Quando você tiver medo de sonhar, eu pedirei aos céus para que não acorde.

31/03/2010

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Há coisas que são da ordem da dor. Não interessa o que você faça, o quanto mude, sua capacidade de racionalizar, sua perspectiva de fazer diferente. Meses vão passar, os dias vão nascer cada vez mais bonitos, os caminhos serão melhores. Não importa. Em algum lugar, certas coisas vão doer para sempre. Não se trata de mágoa, raiva guardada, rancor. É apenas dor. Às vezes, elas anunciam. Começam a doer ainda antes. Às vezes elas se guardam. Latejam só quando chove. Ou em noites de lua cheia. É como bala alojada que inflama no inverno. Dor de dente no frio. Ressaca de manhã cedo. Em algum lugar, certas coisas vão doer sempre. Mesmo que tudo passe. Mesmo que o mundo gire. Mesmo que você morra. Algumas coisas vão doer para sempre.

29/03/2010
Quarta-feira, Abril 30, 2008

esse e-mail é para a moura

que insiste em desaparecer
tu não vai pra tamandaré
e a gente vai sentir saudade de você

eu só queria saber mesmo
é como você está?
se já está trabalhando
ou tá deitada no sofá

eu queria também te falar
que esse banzo não tem nada a ver
se tu tá com algum problema
ou resolve ou manda se fuder

eu quero de volta a minha moura
a minha moura que sorri comigo
porque no mundo a coisa mais linda
é sorrir com quem é amigo.

e ainda rima, vê!

(de diana meira para mim, a moura.
porque as dianas são foda!
também te amo muitão, dida!
porque existe um sol em alguma
direção quando se tem amigos
assim feito tu! mil beijos)

29/03/2010

um dia, ainda vou escrever um livro infantil
beeeeem infantil

uma fortaleza por fora. castelo de areia por dentro. poderia abrigar o mundo, mas poucos conheceriam sua delicadeza. paredes finamente polidas, tijolos desenhados com gravetos, um fosso de mentirinha e as mais altas torres de brincadeira que alguém já viu. era ali que ela morava desde sempre. desenhava janelas para a princesinha que vivia lá dentro. não conhecia quase nada no mundo, tomava banho de sol e sonhava com príncipes em cavalos alados. alguém que fosse capaz de lhe adivinhar os desejos. suco de maracujá gelado no verão. leite com chocolate quente no inverno. assim sem mistério. enquanto ele não vinha, ela brincava de proteger o seu castelo do vento. passava os dias na praia, à espera de uma garrafa que lhe trouxesse uma carta, uma mensagem, um sinal… e as noites a olhar para o céu, aguardando o príncipe e contando as estrelas.