abre a janela, vem ver como é lindo o luar (*)

Era como se fosse uma flor. Uma florzinha dessas de mato, de pétalas delicadas, que se desfazem com o primeiro vento. Por isso, coloquei sobre ela um copo de vidro. Um copo como uma redoma. Para que não se desmanchasse num sopro. Estava melhor, mas ainda parecia frágil. Bastava uma pedra. Uma pedrinha de nada. Pequena que fosse. Mesmo de longe. Se bem atirada, daria fim a tudo de uma vez só, flor e copo. Por isso, cuidadosa, colhi pelo caminho pedrinhas de todos os jeitos. Mais que limpar a estrada, queria, com elas, construir uma barreira. Foi muito fácil. Num instante, aprendi a colar todos aqueles pedacinhos de rocha, fragmento com fragmento. Fiz um muro maior que o necessário. Só uma enchente poderia derrubar. Contra água? Fosso. Cavei bem fundo. E desviei um rio. Depois, comportas. Assim, controlaria a água e evitaria também as formigas. Sem falar nos outros insetos. Pronto. Toda delicadeza será preservada. Inalcançável. Em algum lugar, pode ser que ainda doa. Pode ser que tenha medo. Mas ela não vai demonstrar. É uma florzinha tão protegida, que até parece forte. Ninguém nem imagina que, talvez, possa machucá-la. E tem mais. Não dá pra ver se ela chorar. É uma rocha, a florzinha. Menina-prodígio. Pena que, daqui, não consiga vê-la mais.

(*) é que essa música (na versão de fernanda takai) não sai da minha cabeça… por falta de título…

Anúncios

Tags:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: