Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

2.janeiro.2008

eu ainda não sei se entendi direito. às vezes a gente passa por essa vida sem se dar conta. tinha os olhos mais brilhantes que já conheci. sorriso delicado. uma barba enorme escondia um rosto de menino. inteligente como poucos. brilhante. e às vezes rabugento. precisava de ajuda, mas abraçava como se pudesse salvar o mundo. foi ele quem me deu a minha música de presente, e fotinhas de ‘a dupla vida de veronique’, e os melhores baldes de sorvete – que eu só olhava enquanto ele tomava –, e os melhores diálogos de ‘era uma vez na américa’, e as melhores discussões sobre ‘lavoura arcaica’. tinha um gosto bonitinho para mulheres. elogiava pequenas imperfeições como se fossem jóias escondidas. belezas inusitadas que só ele conseguia ver. escrevia como mais ninguém. engolia palavras, invertia ordens. me deixava assim uma leitora perdida, tateando surpresas no meio das frases. era capaz de coisas incríveis. “irritado. cais de santa rita até espinheiro. a pé. dois reais no bolso. táxi não. assaltado ainda. porque eu não tenho uma cate blanchett de calcinha comendo chocolate?” algumas vezes, tentei. noutras, me omiti. hoje, eu sinto uma saudade imensa dos olhinhos. hoje é tarde demais. eu queria pedir desculpas. eu gostava muito dele. muito. às vezes a gente passa por essa vida sem se dar conta.

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