Segunda-feira, Abril 30, 2007

o que não se pode ver
nem se pode tocar

era uma menina e desafiou os deuses. não que quisesse. nem notar, notou. apenas agiu como se pudesse. e se deixou levar. pra dizer a verdade, nunca foi de desafiar nada. vivia apenas. era divertido. e pronto. mas os deuses. sempre inventando regras. isso não pode. aquilo não pode. também não. ah! não dava muita atenção aos deuses, ela. tinha um acordo. “eu não chego muito perto, vocês não me dão muita coisa, eu também não peço nada.” fácil. nunca teve problemas. até o dia em que decidiu se aproximar da luz. era como um fogo, sua claridade. um passo, outro passo. já estava lá. imóvel naquele clarão. aquele calor podia quase tocá-la. sentia o suor a escorrer pela face. a água morna descendo pelo corpo inteiro. sentia os ar quente rasgando por dentro. sentia os tremores. sentia apenas. não pensava nada. nem medo, não tinha. foi se deixando ali pelo tempo que fosse possível. desejava morar aquelas chamas. precisava compartilhar com os deuses a imortalidade do fogo. querer, eles não queriam. mas era uma menina, apenas. que mal poderia haver? um colóquio, uma discussão, um impasse. um transe. a menina não ouvia nada. nem pensou. prosseguiu jornada pela luz a dentro. os deuses debatiam. ela afundava inteira naquela luz. nunca mais foi vista. mas, ainda hoje, todos os que se aventuram a rodear aquela claridade juram ouvir seu sorriso. dizem de felicidade, seu nome.

 

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