Terça-feira, Julho 24, 2007

Tautologia
O amor não se repete. Não porque não se queira. Ah, se se repetisse, o amor seria fácil. Mas é caprichoso. Muda de rosto quando vai de um lugar para o outro. O amor é um gosto estranho, jeito diferente de ver o mundo, uma cor que até então não existia, roupa nova para ir à festa. O amor não se repete. Não se dá a ver. Abre ruas onde havia esquinas, desvia o cursos dos rios, constrói pontes, ergue muros, derruba portas, solta os cachorros. O amor nunca está. Sempre falta um pedaço. É essa incompletude. O amor é um desafio. Eu duvido! Não dá pra fazer igual. O amor não se repete, se desacostuma. É uma história que ainda não foi contada. Uma saudade do que estar por vir. O amor não se repete, tira o mundo do lugar, revolve gavetas, entorta os quadros da sala, abre as torneiras e se esquece. O amor não se repete, se assusta, se amedronta e às vezes se esconde. O amor não pensa, não estuda, não obedece, não trabalha. É um desajuste. O amor faísca, cutuca, incomoda, espinha, arranha e arde. O amor não se repete. Apaga palavras no dicionário e escreve outras. Tudo é novo quando ele está. O amor é o desejo incansável da desordem. Com a nossa permissão, ele nos desconstrói quando se entrega. E nos quedamos perplexos de nós mesmos, mas o consentimos, porque sabemos que só o amor é capaz de amar.

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