Quarta-feira, Junho 06, 2007

textinho sem nome
um vazio. bem embaixo dos pés, um buraco. engolindo as mãos, imóveis. desaparecendo a fala, roubando os pensamentos. um vazio. sem começo nem fim. um nada. abriu os olhos devagar e foi procurando a madrugada. palavras espalhadas pela cama. frases pela metade. uma pontuação descompassada saindo pelo fio do telefone. tuu tuu tuu tuu. foi recolhendo tudo para recompor o mundo de ontem à noite. um desespero. o vazio. ah, menina, há tanto que não se dizer antes de pensar. mas ela nunca nunca consegue. ter o dom das palavras é saber domá-las. agora estava ali. com todo aquele nada diante do espelho. frases que não se encaixavam mais no seu pensamento. pensamentos como um atraso de vida. como se faz para des-pensar algo que já foi pensado? perguntava. deve existir alguma maneira. respondia. meio lacônica, pra uma menina que acreditava. muito paralisada, pra uma menina que sabia tão bem. e, de vez em quando, o vazio aumentava. então um trim. de repente, um trim. era nada. era sim. outro trim. um nome, um rosto, uma voz, uma calma. trim de manhã é sempre bom. não dou dez segundos pro vazio sumir do mapa. dez segundos. e não restou nada. felicidade é isso. mesmo que ela não saiba pedir. mesmo que ela tenha medo. mesmo que o vazio ainda espreite pela janela. felicidade é ver do vazio um nada. as coisas de volta ao seu devido lugar.

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