Domingo, Junho 05, 2005
suzanne 2
falo da minha casa. aquela sem portas e janelas, que deita-se alva às costas de um rochedo. à noite, pelas frestas dos seus cômodos que se movem, eu posso sentir um animal à espreita. tem mais medo de mim, do que eu dele. na pele negra e opaca, esconde a camuflagem perfeita. confunde-se com o céu escuro, mas eu o vejo pelos brilho dos olhos. deixei armadilhas em todos os cantos da casa. armei um laço em cada quarto. mas ele se move devagar, pressente artimanhas e salta sobre elas, como se fosse possível não tocar o chão. é um animal livre. gosta da minha casa, mas não me quer por perto. para vê-lo mais próximo, arranco pedaços de minha carne e espalho pelos cantos da casa. espero que ele venha comê-la. que me devore os nervos e me beba o sangue. e que, depois de alimentado, não queira mais ir embora.
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