Domingo, Maio 22, 2005

suzanne
minha casa não tem portas nem janelas. separa-se do mundo por longas cortinas brancas, delicadas, presas com finas tiras de seda vermelha, amarradas em laços displicentes. pela manhã, elas são transpostas pelo sol, que despe suas paredes brancas de todas as sombras, iluminando o meu mundo e te convidando a entrar. vem. e eu te trago pela mão…

minha casa não tem ao redores nem em tornos, pois que não existe centro, apenas cantos. neles repouso com o pó que se esquece de si, onde as aranhas tecem seus ninhos. minha casa é recortada em cômodos que se movem lentos para te ver mais de perto.

minha casa não tem muros nem torres, deita-se alva à beira de um rio nas costas de um rochedo. tem um ancoradouro tranqüilo, onde tu deixarás dormir o teu barco depois de atravessar mares indispostos de ondas turbulentas.

minha casa tem fruteiras no jardim e flores no quintal, para que eu possa te alimentar na entrada e para que tu possas levar meu perfume ao sair. e eu te darei laranjas e chás trazidos da china, depositados sobre uma toalha de linho branco forrada sobre o chão.

e tu me dirás teu nome. e te direi minha vida. e tu verás as palavras que rabisco nas paredes. e eu lerei as garrafas que trazes contigo. e tu me contarás uma história antes de dormir. e eu te darei a promessa que voltarás amanhã.

(com tema de l.cohen e citações de cohen e de joão cabral, sim)

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