Quinta-feira, Maio 19, 2005

little mermaid avenue (ou da utilidade do mapa de bolso)
ela construía a geografia das cidades a partir do afeto. criava seus próprios mapas. eles eram pequenos, minúsculos até. havia pouca coisa que cabia nas suas ruas estreitas e descontínuas. ela apagava os traços que não lhe diziam respeito. sobrava umas três ruas de casarões gastos, dois restaurantes, um café, uma livraria, poucos bares, um pavilhão e talvez uma avenida. tinha também o ponto perdido de uma casa com varanda que ela nem sabia. e poucas histórias para contar. guardava os fragmentos desses lugares como quem esconde um tesouro…
duas frases adiante, ela prendeu o ar, recolheu os dedos que desejava nos olhos, os olhos mesmo, e sentiu o gosto de embotamento que nasce das coisas que nunca chegam a acontecer…
então, ela desejou que as coisas fossem mais simples, fáceis e talvez um pouco menos impenetráveis. quis que o mundo, pelo menos o seu mundo, doesse só um tantinho menos, que não pudesse ser tão rapidamente inundado pelas chuvas que agora sufocavam a fragilidade do seu mapa…

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