Terça-feira, Maio 03, 2005

eu tenho invadido teus arquivos, silenciosamente, à noite, para roubar tuas palavras. vou assim me ornando dos teus encantos. com o mistério das frases que deixas pela metade, dos sentidos que teimas em não completar. eu tenho invadido tuas estantes… percorro com os olhos, sorrateiramente, antes que me vejas, os livros que ainda não lestes, as obras inacabadas, as lombadas gastas e os títulos lidos, marcados e corroídos pelo tempo. vou infiltrando meus livros entre os teus. um poema aqui, um diálogo acolá, perturbando assim a ordem dos teus sentidos. eu tenho me instalado nas tuas músicas. me aproprio dos sons e dos ruídos que ouves e me coloco neles, sem fazer barulho, acrescentando canções que são a minha história. eu tenho invadido os corredores por onde passas. espreito pelas frestas, pelas fechaduras, me ocultando nas sombras para soprar meus sonhos nos teus ouvidos, enquanto dormes ainda menino. vou assim, tornando familiar a minha presença ausente no teu mundo, até que eu te seja tão comum que tu nem sequer me percebas…

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