Terça-feira, Abril 19, 2005

se eu contasse, você não acreditaria
ah, é porque ela é assim mesmo. usa reticências demais. e parênteses. se esconde nas entrelinhas imaginando que nunca será revelada… mas fala muito e tanto sem pensar. quando vê, as palavras estão todas ali, esparramadas. são como as contas de um colar de pérolas que se partiu. as bolinhas soltas, rolando no chão, escorrendo pelas escadas, caindo nos bueiros, como se sangrassem. ah, ela não consegue guardá-las consigo. sabe da preciosidade dos silêncios, mas eles lhe escapam. e ela morre por isso. como se dormisse, mas ela morre (até a próxima fala). porque calando ela nega a si mesma. e é difícil viver e negar. e ela vive. intensamente cada minuto. como se o próximo dependesse da força do agora para nascer. mas teme. e se envergonha. e nunca deixa de viver (mesmo assim). de dor em dor, coleciona passados. mesmo que nunca tenha conseguido alcançá-los. acredita neles. são como o ar que entope seus pulmões de poluição. no meio da fuligem que forra suas veias, ela vê. está bem ali. por ver demais, ela pede desculpas.

by Bonina

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