Archive for maio \20\UTC 2009

20/05/2009

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Ventos de agosto
Era uma tristeza assim desimportante, a da menina. Às vezes queria ficar, às vezes queria ir embora. Geralmente não queria nada. Começava com um sentimento de saudades. Fazia de tudo para ela ir embora. Mas como se manda embora as saudades do que se não tem? E ela ficava. Uma hora. Um dia. Uma semana. Até disfarçava, mas não partia. A menina era só agonia. Ai, meu deus, se me pegam agora com essa saudade toda eu estou acabada. Disfarçar não era exatamente sua especialidade. Mas tinha que mudar de assunto. É. O ônibus lotado. Mudar de assunto. Nossa, vocês lembram o calor que fez ontem? Mudar de assunto. Uma baleia encalhou bem no meio da praia. Mudar de assunto. Adoro suco de pinha, com pouco açúcar e duas pedras de gelo. Mudar de assunto. Qualquer coisa podia ser um assunto, menos a gastrite, o medo, as palpitações, a sonolência e as saudades. Além da tristeza, é claro. Porque nenhuma tristeza tem importância, a não ser uma que fosse capaz de matar toda a esperança.

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20/05/2009
Sexta-feira, Agosto 17, 2007

dois de setembro, né?
apois tá

ah… a minha especialidade não é apenas falar demais, como falar antes da hora.

20/05/2009
Terça-feira, Agosto 14, 2007

dois de setembro
contrariando o tempo, o clima, o caos aéreo, a certidão de nascimento, a lei das probabilidades, o estatuto da permanência, a lei da gravidade.
contrariando a geografia, a distância, os mapas, o fluxo migratório, o curso dos rios que deságuam no mar.
contrariando a história, a igreja, o papa, as profecias, os prognósticos, a astrologia, o céu.
mas não as estrelas

20/05/2009
Terça-feira, Julho 24, 2007

Tautologia
O amor não se repete. Não porque não se queira. Ah, se se repetisse, o amor seria fácil. Mas é caprichoso. Muda de rosto quando vai de um lugar para o outro. O amor é um gosto estranho, jeito diferente de ver o mundo, uma cor que até então não existia, roupa nova para ir à festa. O amor não se repete. Não se dá a ver. Abre ruas onde havia esquinas, desvia o cursos dos rios, constrói pontes, ergue muros, derruba portas, solta os cachorros. O amor nunca está. Sempre falta um pedaço. É essa incompletude. O amor é um desafio. Eu duvido! Não dá pra fazer igual. O amor não se repete, se desacostuma. É uma história que ainda não foi contada. Uma saudade do que estar por vir. O amor não se repete, tira o mundo do lugar, revolve gavetas, entorta os quadros da sala, abre as torneiras e se esquece. O amor não se repete, se assusta, se amedronta e às vezes se esconde. O amor não pensa, não estuda, não obedece, não trabalha. É um desajuste. O amor faísca, cutuca, incomoda, espinha, arranha e arde. O amor não se repete. Apaga palavras no dicionário e escreve outras. Tudo é novo quando ele está. O amor é o desejo incansável da desordem. Com a nossa permissão, ele nos desconstrói quando se entrega. E nos quedamos perplexos de nós mesmos, mas o consentimos, porque sabemos que só o amor é capaz de amar.

20/05/2009
Sexta-feira, Julho 13, 2007

meu reino por uma casa
as caixas e de cada uma delas saía um pedaço do meu mundo, que fui resgatando aos poucos. não é mais o mesmo mundo, é verdade, mas muitas coisas ainda estavam ali. livros, livros, muitos livros. os discos. revistas antigas. fotos, amuletos, recortes de jornal, coisinhas achadas no chão. fragmentos de histórias que se espalhavam pela casa. parágrafos mal escritos. enredos rebuscados. frases soltas. e eu alinhavando os pedaços. resgantando do esquecimento, trazendo para o mural da memória. aos poucos, aquela casa era minha. era eu em todos os lugares. uma casa. uma casa de verdade. um lugar meu. e bem no meio de toda a bagunça, eu entendi o sentido do mundo. compreendi os ciclos da vida. me vi envelhecendo enquanto as minhas coisas, imutáveis, guardavam uma diana que foi se somando com outras dianas até aqui. meu mundo recontruído. minha casa. esse é o sentido da felicidade. uma casa que seja sua, que tenha sua história, sua vida, sua cara. ou, mais isso, uma casa que seja você. hoje, eu admito, sou uma pessoa apegada. sim, eu tenho raízes, eu sei o que quero, eu olho pela janela e sou feliz. hoje, eu estou em paz.

20/05/2009
Terça-feira, Junho 26, 2007

então, finalmente estou de mudança. mudança é aquele estado de espírito em que sua vida se resume a caixas e mais caixas. nesse sentido, não, não estou de mudança. mas as caixas estão todas lá. empilhadas num apartamento, uma centena delas, do chão ao teto. é um tal de abrir e abrir caixas que não pára nunca, e algumas ainda restam fechadas. não sei de fato quando conseguirei me mudar. mesmo fechadas, nelas se esconde alguma felicidade, sei disso. ou pelo menos a alegria passageira de, depois de tanto tempo, voltar a sair da casa da mãe. é isso e diana feliz. ah, sim, vai ter festinha de inauguração. quando? ainda não sei.

moinho de vento
às vezes era assim mesmo, ela construía enormes castelos de vidro de frente pro mar. tijolos lindos, límpidos, transparentes. erguia com eles muralhas enormes, paredes grossas, torres gigantes, fortificações. iluminava os cômodos por dentro e por fora. ao meio-dia, clareava o sol. à meia-noite, ofuscava a lua. de longe, à fortaleza, se avistava como a um farol. de alguma forma, acreditava naquele excesso de luminosidade que atravessava os muros. sentia-se clara e contente. banhava-se de luz, não carecia estrelas. era como uma menina pisando no rastro da sua própria felicidade. uma alegria sem sombras. até perceber-se exposta. ah, a felicidade às vezes dá tanto trabalho… ainda mais para uma menina que já cresceu. esse é um estado de espírito para menos de 12 anos. é necessário infância. quando notava, era o sorriso que já fugia pela leveza do vidro. as doze badaladas da cinderela. e tanto brilho era assim como uma invasão. sem pensar, apagava as luzes, fechava as janelas, trancava as portas. abandonava o castelo sem olhar pra trás. seu próprio moinho de vento. deixava-se num canto escuro qualquer e esquecia o tempo. até que o desejo de luz outra vez lhe invadisse os poros, rasgasse a carne e doesse os ossos. para então mover-se.

20/05/2009
Quarta-feira, Junho 06, 2007

textinho sem nome
um vazio. bem embaixo dos pés, um buraco. engolindo as mãos, imóveis. desaparecendo a fala, roubando os pensamentos. um vazio. sem começo nem fim. um nada. abriu os olhos devagar e foi procurando a madrugada. palavras espalhadas pela cama. frases pela metade. uma pontuação descompassada saindo pelo fio do telefone. tuu tuu tuu tuu. foi recolhendo tudo para recompor o mundo de ontem à noite. um desespero. o vazio. ah, menina, há tanto que não se dizer antes de pensar. mas ela nunca nunca consegue. ter o dom das palavras é saber domá-las. agora estava ali. com todo aquele nada diante do espelho. frases que não se encaixavam mais no seu pensamento. pensamentos como um atraso de vida. como se faz para des-pensar algo que já foi pensado? perguntava. deve existir alguma maneira. respondia. meio lacônica, pra uma menina que acreditava. muito paralisada, pra uma menina que sabia tão bem. e, de vez em quando, o vazio aumentava. então um trim. de repente, um trim. era nada. era sim. outro trim. um nome, um rosto, uma voz, uma calma. trim de manhã é sempre bom. não dou dez segundos pro vazio sumir do mapa. dez segundos. e não restou nada. felicidade é isso. mesmo que ela não saiba pedir. mesmo que ela tenha medo. mesmo que o vazio ainda espreite pela janela. felicidade é ver do vazio um nada. as coisas de volta ao seu devido lugar.

20/05/2009
Sábado, Maio 12, 2007

sua noiva bêbada

porque depois de muitas cervejas, ontem, voltando para casa, você me disse coisas lindas. e hoje você nem lembra, mas eu amo. palavras, preciso delas. porque eu nem ligo para sua falta de memória, e sei que é tudo verdade. por isso tento tirar as pedras do meu caminho, para que elas não atrapalhem o seu. e vou soprando as curvas do tempo, esse deus instável, que teima em aumentar a distância, só por capricho. porque quando olho pra trás, eu vejo, tinha tudo para dar errado, mas você não deixou. aí eu vejo como você é grande. enorme. maior do que pensou que fosse. porque quando você subir naquele avião, vai olhar o mundo de cima e pensar, todos os problemas eram menores do que as coisas como eu vejo agora, tão pequenas. porque é tudo uma questão de escala. inclusive o tempo.

20/05/2009
Segunda-feira, Maio 07, 2007

Rafael, o sábio

e não é que ele tinha razão!
se você leu as previsões para o futuro do los hemanos no post abaixo (25 de abril), fique sabendo que bruno medina já estreou um novo blog, agora no G1. quer ler? clica aqui.

20/05/2009
Sexta-feira, Maio 04, 2007

é verão, amiga, eu sei

o fim de junho é daqui a pouco, amiga, e eu não sei por onde começar.
o fim de junho é quando chega o inverno, é quando esfria a alma, é quando o céu se rasga sobre o recife e todas as águas do mundo desabam sobre nós.
vêm na chuva que cai do céu, nos rios que transbordam, nas ondas que arrebentam na praia, na subida da maré em noite de lua cheia.
elas chegam como num batismo, para lavar nossos pecados, purificar as culpas, para varrer o medo, expurgar as dores, e renovar a crença que tenho de nossos dias melhores.
sim, amiga, ainda sou capaz de sentir esperança, por nós duas, e acredito na felicidade, que um dia nos contaremos, entre risos e frases cortadas, agitadas, engolindo as palavras ao telefone.
o fim de junho é logo ali, amiga.
e enquanto eu espero as águas que se aproximam, eu sei, você vai dormir e acordar verão. no calor de um abraço, no céu azul que brilha nos seus olhos. e será sempre sol, amiga, eu sei.

20/05/2009
Segunda-feira, Abril 30, 2007

o que não se pode ver
nem se pode tocar

era uma menina e desafiou os deuses. não que quisesse. nem notar, notou. apenas agiu como se pudesse. e se deixou levar. pra dizer a verdade, nunca foi de desafiar nada. vivia apenas. era divertido. e pronto. mas os deuses. sempre inventando regras. isso não pode. aquilo não pode. também não. ah! não dava muita atenção aos deuses, ela. tinha um acordo. “eu não chego muito perto, vocês não me dão muita coisa, eu também não peço nada.” fácil. nunca teve problemas. até o dia em que decidiu se aproximar da luz. era como um fogo, sua claridade. um passo, outro passo. já estava lá. imóvel naquele clarão. aquele calor podia quase tocá-la. sentia o suor a escorrer pela face. a água morna descendo pelo corpo inteiro. sentia os ar quente rasgando por dentro. sentia os tremores. sentia apenas. não pensava nada. nem medo, não tinha. foi se deixando ali pelo tempo que fosse possível. desejava morar aquelas chamas. precisava compartilhar com os deuses a imortalidade do fogo. querer, eles não queriam. mas era uma menina, apenas. que mal poderia haver? um colóquio, uma discussão, um impasse. um transe. a menina não ouvia nada. nem pensou. prosseguiu jornada pela luz a dentro. os deuses debatiam. ela afundava inteira naquela luz. nunca mais foi vista. mas, ainda hoje, todos os que se aventuram a rodear aquela claridade juram ouvir seu sorriso. dizem de felicidade, seu nome.

 

20/05/2009
Domingo, Abril 29, 2007

para carlos henrique magnata cordeiro,
o homem que partiu daqui em busca de um sonho, de um amor e da terra prometida
.

mag, porque você é uma criatura assim desapegada, eu sei que você não se importou com o celular ontem. você não, mas eu sim. tentei te ligar de todos os telefones que encontrei pela frente. do meu, do skype, da casa da minha mãe, até do celular de amigos. não consegui te dar os parabéns que eu queria, amigo. parabéns a distância, como hoje é nossa amizade, que não se acaba nunca. parabéns com gosto de abraço apertado. parabéns com alegria de chuva no sertão. parabéns com vontade de saber da tua vida. parabéns com saudades enormes, maiores que as rodovias que cruzam esse país imenso. feliz aniversário, mag. eu acredito no futuro mais justo que você sonhou. e no futuro mais justo que, eu espero, você esteja construindo.

 

20/05/2009
Sábado, Abril 28, 2007

sem teto, por enquanto

o lugar para onde eu quero ir. uma promessa. praia em dia de sol, arco-íris em dia de chuva, dormir até mais tarde dia de domingo.
um desejo. rua tranqüila, casa com jardim e quintal, barulho de gente pequena, empinar pipa na laje.
o lugar para onde eu quero ir é uma certeza. alegria de quando eu era criança, dia de passeio na escola, presente de aniversário, viagem pro sítio do tio.
é uma crença. paz de águas abrigadas, grandeza de paisagens sertanejas, a infinitude do mar.
é um encontro. sorriso sincero de manhã, saudades ao longo do dia, dois beijos antes de dormir.
o lugar para onde eu quero ir. uma vida. livros na varanda em dias quentes, filmes embaixo do cobertor nas noites frias, amigos ao meio-dia.
um marco. casa que nunca foi antes. e muda tudo que vem depois.
o lugar para onde eu quero ir é quase nada. é quase tudo. uma felicidade que não cabe em nenhum lugar, só em mim.
o lugar pra onde eu quero ir.

20/05/2009
Quarta-feira, Abril 25, 2007

o fabuloso destino dos hermanos
(ou rafael, o profeta)

Rafael diz:
ta triste com o fim do los hermanos é?

bonina * diz:
tô, é… muito

Rafael diz:
meio triste mesmo

Rafael diz:
mas as vezes é bom a banda não se forçar

bonina * diz:
eu sei… pensei nisso também

bonina * diz:
mas putz… hermanos é uma referência de música boa no brasil, saca?

Rafael diz:
mas vai sair um solo de cada um deles

bonina * diz:
e agora tenho medo que eles virem MPB… meeeeeeedo!!!!

Rafael diz:
camelo vai virar, nem tenho dúvida

Rafael diz:
mas amarante vai ser mais rock, eu acho

Rafael diz:
barba vai tocar bateria com os dois

Rafael diz:
e medina deve ficar fazendo trilha sonora pra curtas ruins no rio e escrevendo blogs

bonina * diz:
hahahahahah

 

20/05/2009
Terça-feira, Abril 24, 2007

luto

tudo na vida acaba.
los hemanos também.
muito triste.

e aí, amarante olha pra camelo e diz: “o sonho acabou”.
(foi mal, aí… escapuliu)

11/05/2009
Sábado, Abril 21, 2007
assim sem artigo

recife. com sol é vontade praia. de rua. calor à noite. cerveja e amigos. recife é um punhado de ruas bonitas num curto espaço de tempo. com umas três avenidas horríveis pelo caminho. e tumulto nos sinais de trânsito. placas que não dizem quase nada. e um bairro inteiro para justificar o mar. recife é olinda depois da curva. tapioca na sé e biscoitinho das freiras do monte. recife. uma dúzia de pontes com muitos cais entre elas. e o mangue. recife é a pobreza latente. uma miséria fantasma. favelas que se escondem atrás de prédios históricos, monumentos, muros. recife é a alegria do reencontro e o medo de portas e janelas abertas. recife é uma festa. um show para público blasé, cansado de suas belezas. uma anestesia. recife é a promessa de lugares conhecidos e desconhecidos. um cartão postal em busca do eterno retorno. à procura de um turista acidental. recife é minha casa. todas as que já tive, a que não tenho mais, a que terei um dia. recife são os tijolos que me moldaram. pedras do século 16. construída na planície pelos holandeses. recife alaga. transborda de dentro mim. recife tem personalidade. uma cidade autoral. recife é a desgraça dos arranha-céus. meu medo de altura, meu desejo de precipício. recife é uma coluna, um esteio, uma base, uma fundação. recife é um porto. uma cidade voltada para o mar, de costas para o continente. um ponto de chegada e a vontade de partir de novo. às vezes doce, às vezes hostil. recife me ancora. é a plenitude plácida dos casarios antigos, indiferentes ao rio que corta e alinhava toda a cidade. recife é a sinuosidade do capibaribe. um capricho. recife é uma mãe. a pequena cidade grande que cresce para cima. não tem mais espaço, mas sempre cabe mais um. recife.

 

11/05/2009
Sexta-feira, Abril 20, 2007
o apr, hein?

nação foi massa (novidade!) . moptop-wanna-be-strokes foi legal . mutantes faz um cover até razoável . “monomotores só tem de bom o nome” (como disse ju lisboa). não ouvi uma só palavra dos velhinhos do forró . valentina foi minha primeira boa surpresa . uau! . orquestra contemporânea de olinda fez um som-dançante-afinado-pra-caralho . the playboys fez o show mais divertido do apr e, de quebra, o som deles ainda é massa . los alamos fez o melhor de todos os shows que eu vi : pampas + blues + dylan + retrô + pink floyd ou algo assim . the film é melhor na internet, mas eu gostei ao vivo também . o velhinho do reggae é foda, mas eu não gosto de reggae . rebeca matta, êxito d’rua, e o canto dos malditos na terra do nunca deveriam não ter existido . nem existir . nunca . eca!

11/05/2009
Sábado, Abril 07, 2007
Gente. não existe nada melhor. ainda não inventaram. mas às vezes dói pra caralho. e nessas horas eu não quero mais brincar de gente grande. eu quero de volta a menina. aquela que sabia de tudo, tinha as verdades para soltar na frase certa, no momento exato. e nada mais poderia sair do lugar. ela já tinha dito, entenderam? simples assim… a menina era linda. caminhava segura sobre as suas certezas, que eram como largos blocos de pedra a pavimentar seu caminho. a menina era foda. tinha sempre uma resposta pronta, nunca se perdia, não errava um caminho, jamais se atrasava. aquela menina… acontece que gente cresce. e continua crescendo até o fim. é a vida bulindo. e vai deixando as verdades pelo caminho. quando vê, é o mar. às vezes revolto. aquela menina sabia das coisas. hoje, eu quero procurar as verdades dela, mas não me restaram nem as gavetas em que ficaram guardadas. hoje, eu espero um sinal. se eu fosse a menina, foda-se o sinal. já estaria dormindo. e amanhã eu saberia o que fazer.

***

da menina, só me ficou uma coisa. é um certo pressentimento. a menina adivinhava as coisas antes mesmo delas acontecerem. eu sinto. sei até o exato momento. é uma forma de doer antes. da menina, não é muito. mas já é alguma coisa.

11/05/2009
Quinta-feira, Abril 05, 2007
caindo em contradição

as pessoas. gente tem que ser mesmo assim, um movimento. confuso, contraditório, conflitante. é a vida bulindo. viver nos surpreende. senão, não seria. todo dia, ao acordar, é um mundo novo que se levanta. joga suas certezas no chão, vai demolindo crenças, entortando caminhos, recriando sua linha de pensamento. e você se vê no meio de situações que, jurava, não seriam suas. e se pega partilhando momentos que duvidaria, e se percebe em diálogos que nunca, jamais, compreenderia. ah… o aprendizado. gente é contraditório. faz coisas que não acredita. e mesmo que você queira discordar agora, pare e pense um pouquinho… gente é bom.

11/05/2009
Quarta-feira, Março 28, 2007
tempo tempo tempo, mano velho

o tempo, esse alvoroço. desde que a gente nasce – um dia, outro dia, e às vezes uma noite em claro no meio. quantos dias para chegar antes, quantos anos para chegar depois… o tempo, esse desencontro. a vida passa ao largo sem se dar conta, e às vezes quer viver tudo de uma vez. (deixar um dia tudo acontecer. e saber: o que acontece é bom. rilke). o tempo, esse desatino.

11/05/2009
Domingo, Março 25, 2007
mundo, mundo, vasto mundo

o mundo, esse rodopio. desde que a gente nasce – um giro, outro giro, e às vezes um tombo no meio. de vez em quando, a gente se desacostuma. a gente pára e parece que tudo saiu do lugar. o mundo, esse estranhamento. não adianta correr para alcançá-lo. depois que um passa, tem que esperar o próximo. difícil, ansiosa, doída, a espera. quase sempre, um outro mundo chega devagar. vai colocando a vida em ordem. uma coisa, outra coisa, e às vezes com uma surpresa no meio. o mundo, esse alumbramento.

11/05/2009

Segunda-feira, Março 12, 2007

 

então, foi assim como num carnaval
um clichê, um refrão
ela voltou e voltou novamente,
recife
menos inteira do que antes, é verdade…
mas a gente tem que aprender a se desapegar da gente
deixar um pouquinho pelos cantos
foi a saudade…

11/05/2009
Domingo, Fevereiro 04, 2007
the bluest light.

11/05/2009
Segunda-feira, Outubro 03, 2005
e nem era tpm

então é sexta-feira, você tem uma pautinha boa pela frente, um joguinho legal para ir, uma festinha para começar o sábado. se era isso que você estava pensando, tenho uma coisinha para você: otária!

então, vamos recapitular seu dia.

você sai de casa bem cedinho e encara a agradável tarefa de demitir sua empregada no sindicato das domésticas. são quase duas horas de espera-conversa-mole-e-papelada. e aquela coisa, que não fazia mais nada mesmo, a não ser dormir a tarde inteira e mentir para você, ainda chora na sua frente. ok, mas aquela coisa conviveu com você por quatro anos. aí você fica com uma dor no coração, com ódio de si própria, e com 1.256 reais a menos.

para deixar de ser besta, volte duas casas.

nesse clima agradável, você vai para uma entrevista. a pauta é massa. você ainda descobre outra coisa legal sobre o mesmo assunto. bingo! – aí você fica mais uma hora esperando o carro para voltar para o ambiente de trabalho. mas, ok, vamos lá, não é tão ruim assim, você já esperou duas horas antes, né? relaxa… você anda muito estressada, menina.

azar o seu: fique uma vez sem jogar.

aí, de volta ao ambiente de trabalho, você engole qualquer porcaria porque não vai dar tempo de almoçar e senta na frente do computador. seu chefe implica um pouquinho com a pauta. ah, normal, ele sempre implica. relaxa aí. então, ele deixa você fazer a matéria, que, junto com outra que você já tinha que fazer, fecha exatamente uma página inteira.

jogue outra vez.

aí, tá todo mundo convocado para uma reunião da equipe. equipe? aaah. é o que era? quarenta minutos de comida de rabo generalizada. (e 40 minutos a menos para escrever) msn não pode. nem blog. parece que eles são nocivos para o seu trabalho e aumentam a produção de uma erva-daninha chamada hora-extra. eu já li isso em algum lugar. aí você se lembra que 1 – não faz hora-extra porque tem contrato especial. 2 – entrou no msn uns 40 minutos (ao todo) durante todos os cinco dias da semana passada – incluindo sábado e domigo, que você também trabalhou. 3 – seu blog foi atualizado apenas quatro vezes o mês passado inteiro.

parabéns, gata, você se fudeu. revés. pague 200.

aí você sai atrasada para o jogo do glorioso náutico e tem que pagar 32 reais num ingresso. puta que pariu. estádio lotado. multidão. confusão na entrada. você quase é pisoteada por um cavalo da pm. a nova schin quente custa 2,50. o carlton sai por 4 contos. mas vamos lá. não se pode perder a esportiva!!!

deixa de ser burra !!! vá hipotecar a brigadeiro faria lima.

você acha que terminou? claro que não! seu time perdeu em casa, minha filha, depois de perder DOIS pênaltis seguidos. você não viu não?

da próxima vez, não jogue.

 

11/05/2009
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
nick cave é apenas um pacato pai de família dos arredores londrinos

e eu que achava que nick cave era louco. bom, não que ele não seja. mas as letras deles só falam de assassinatos, algumas pessoas retalhadas, e às vezes um sentimento de profundo desprezo pelo mundo. agora, experimentem antony & the johnsons (eu já falei dele em algum post lááááá embaixo). as diferenças entre ele e nick: a música é muito muito mais suave. quase um suspiro. uma voz delicada, meio grave, sim, mas com momentos femininos. e letras tão atormentada quanto, mas o tema é um pouco diferente… ele fala o tempo todo a partir de angústia sexual. ele é um menino com cara de menina, digamos assim. aí, ele chega com aquele fio de voz de quem está declarando seu amor por alguém e diz que: ” ‘Cause I’m a bird girl * And the bird girls go to heaven * I’m a bird girl * And the bird girls can fly * Bird girls can fly”. e é tão liiiindo, e me dá uma vontade absurda de chorar. e aí eu choro. e cada vez eu amo mais. aí, depois, ele diz isso: “Hope there’s someone who’ll take care of me * When I die * Will I go?”. E mais adiante, ele canta assim: “I am very happy * So please hit me * I am very very happy * So come on hurt me * I’ll grow back like a Starfish”. (starfish = estrela do mar, que grow back = cresce de volta quando lhe arrancam uma das partes do corpo). caracoles. eu amo ele.

dá para ouvir uns trechinhos aqui.

 

 

para Renata Fontenelle
uma irmã que a vida me depois depois de ter me dado a irmã dela, paula, que veio primeiro para mim e me ensinou a respeitar as diferenças, e a ser tolerante com as pessoas que se ama, mesmo que elas não sejam como nós, porque o que importa nessa vida é o sentimento que somos capazes de construir juntos.

you are my sister (antony & the johnsons, com particopação especial de boy george)

You are my sister, we were born
So innocent, so full of need
There were times we were friends but times I was so cruel
Each night I’d ask for you to watch me as I sleep
I was so afraid of the night
You seemed to move through the places that I feared
You lived inside my world so softly
Protected only by the kindness of your nature
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
We felt so differently then
So similar over the years
The way we laugh the way we experience pain
So many memories
But theres nothing left to gain from remembering
Faces and worlds that no one else will ever know
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They’re gonna come true (gonna come true)

 

11/05/2009
Terça-feira, Agosto 30, 2005
Ela era uma mulher. E não ficou espantada… E quase me sorriu uma vez. E quase me olhou nos olhos. Ela era uma mulher.

José Luís Peixoto, Nenhum Olhar, Agir.

11/05/2009
Quarta-feira, Agosto 24, 2005
no vácuo das portas fechadas 2
não. isso é uma despedida. você não vai sentir quando a última porta se fechar às minhas costas e o fosso que se abre debaixo dos meus pés e me engole pelo ar que me tira. você não vai perceber a dor que eu não vou chorar, nem vai ter que olhar nos meus olhos e consolar esse desgosto embotado. não terá o prazer de engolir a raiva que trago por dentro, que não serei capaz de cuspir na sua cara enquanto sorrio entre os dentes. e quanto a mim, não terei mais que fingir compaixão pelos seus temores, nem remorso pelo seu passado que eu não pude carregar. e todo meu peso agora será apenas do ódio que delicadamente tecerei em mim, noite após noite, para embalar seus sonhos ao lhe fazer dormir.

11/05/2009

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

no vácuo das portas fechadas
essa é uma despedida. você não vai ver quando eu fechar todas as portas, mas quase nenhuma ainda resta aberta. essa não é uma comédia de erros. porque, se os erros sobram, não têm graça. esse é o ponto onde todas as coisas se tornam irreversíveis, como um rosto de ossos dilacerados. esse é o momento em que um moleque na rua acertou uma pedra precisa na lâmpada do poste aceso. não adianta empurrar os interruptores, pois que todo esforço terá sido em vão. esse é o momento em que as palavras são como moscas sobre a carne podre. desnecessárias. esse é o momento em que a morte dorme um sono satisfeito, dois olhos fechados depois de tanto em vigília. é aqui que a faca cega repousa sossegada, certa de que nunca mais se dará ao esforço do fio. a hora morta de todas as coisas. e ninguém saberá aquilo que o mar deixou para trás, a não ser que ande sobre o seu deserto.

08/05/2009
Sexta-feira, Agosto 26, 2005
picasso sucks
rímel para emprestar? porque você só se lembra dele quando vê essa cara de sono na frente do espelho, mas eles não vendem rímel no espelho. *** e você achava que ia ter uma semana light depois de se livrar da dissertação, aí, na segunda-feira, seu chefe lhe puxa pelo braço e lhe coloca no meio de uma matéria especial de domingo. thanxxx. *** e, claro lhe passa mais um monte de pauta leve e divertida, como localizar e entrevistar quatro pessoas condenadas por fraudar o sistema de incentivo à cultura. “oi, e aí, deu pra usar o dinheiro direitinho? carro novo, hein!”. *** mas teve também uma pauta linda sobre o livro do artista plástico marcelo silveira, que você ama, com fotos fotos fotos do trabalho dele. *** ano passado, ele fez uma exposição que é a sua cara, com um monte de estante e milhares de coisinhas nelas. *** aí você olha suas estantes às costas, mira bem o caos maleável delas, a bagunça auto-ordenada que lhe oferecem e pensa o tanto que elas falam de você, dos livros que você ama, dos que contam sua história, dos que você gostaria que contassem, das leituras frustradas. *** aí você, bem ordinariamente, quase como um canalha moderno, agradece a deus por saber ler num país de semiletrados e vai dormir todos os dias achando que é uma pessoa feliz. *** e você morre de pena porque não teve tempo de escrever o texto de marcelo silveira direito, fica arrasada porque não fez algo à altura do artista tão aparentemente simples e ao mesmo tempo sofisticado que ele é. *** aí chega alguém e diz: “aquilo não dá para mim, não. absolutamente não é arte. não é arte de jeito nenhum. eu não sou um acadêmico, não, gosto muito de picasso. mas aquilo (marcelo), minha netinha de seis anos fazia melhor” *** e você tem vontade de mandar ele se trepar bem muito e de com força num pé de coco lá na praia de boa viagem, mas aí você lembra que o velhinho tem mais de 70 anos e deixa passar. *** e segundo uma conta matemática rápida que você acabou de fazer, os fãs de picasso devem ter ouvido a frase “minha neta de seis anos fazia melhor” pelo menos umas 20.749.362.081 vezes *** aí você se reconcilia com os fãs de picasso, porque picasso sucks. *** aí a pauta que lhe passaram é sobre pessoas que são assaltadas chegando e saindo de festinhas, shows, bares, essas coisas… *** então, você escuta os depoimentos mais chocantes e, enquanto as pessoas falam, você vai fazendo um mapinha bem subjetivo, recortando os trajetos citados e pensando assim: “é do lado da minha casa//eu freqüento esse bar//sete e meia da noite?????//eu cansei de estacionar o carro naquela rua//mas essa área é tão movimentada!!!” *** então você acabou de lembrar que vive saindo sozinha, para todo tipo de lugar, que chega em casa todo tipo de hora e pede perdão a deus por ter sido cínica no episódio dos livros e vai dormir agradecendo a deus, sim, dessa vez porque ele camarada, vai, e você está se safando… *** por falar em deus, no fim-de você assistiu ao filme à ilha, que é bem mais ou menos, mas tem uma piada ótima: (clive owen):- o que é deus? (amigo de clive owen, ator bem conhecido, você esqueceu o nome): sabe quando, antes de dormir, você pára e pensa que desejaria muito que alguma coisa acontecesses? deus é o cara que ignora você. *** cool *** mas aí você lembra que não é bem assim, e pede desculpas de novo, que, vamos combinar, ele tem sido legal com você. * e antes de sair de casa: “vou viajar, com deus na estrada e paz na guia, nas armas de são jorge vou armado. não serei preso, nem tomado, nem o meu sangue será derramado. andarei em festas e alegria, assim como andou jesus no ventre da virgem maria.” *** e é isso.

08/05/2009
Quinta-feira, Junho 23, 2005
sobre o fim do estoque
eu poderia dizer um milhão de coisas, mas só sei obedecer. e me desculpar. e me corrigir. porque a substância que me move é a mesma que me paralisa. aquela que uso para construir todas as coisas que deixo pela metade. e assim, pela metade, passam meus os dias. e as noites. que eu retalho em tiras pra ver se descem mais rápido. costuro com elas o manto pesado da lenta indigestão que me virá amanhã. pois que, depois de amanhã, eu terei toda uma vida para ruminá-la e desfazer a trama que eu mesma fiei, como quem tece seu melhor vestido, como quem tece seu melhor dossel.

08/05/2009

Quarta-feira, Junho 22, 2005

leitura diária
os poetas são um tipo mais sublime de escritores. os poetas são, da bíblia, o cântico dos cânticos. os poetas são a primeira estrela da noite e o primeiro fio de luz da manhã. os poetas são o céu azul depois de um dia nublado. os poetas são a flor em que os passarinhos vêm beber água. os poetas são crianças de roupas coloridas em dia de aula. os poetas são um adolescente aprendendo a dirigir pela contramão. os poetas são chocolate em dia par, rede depois do almoço, reticências no meio das orações. os poetas são o primeiro beijo, chuva de verão, mês de férias. os poetas me fazem feliz, mesmo quando me deixam triste.

instruções
eu preciso aprender a ler abraços. eu preciso saber quando eles querem me dizer chegue mais perto ou quando eles se desculpam pelo próprio constrangimento. quando eles são solidários com os meu temores ou quando eles me apunhalam pelas costas. eu preciso aprender a ler abraços, identificar quando eles olham nos olhos só por força do hábito, ou olham porque querem ver mais longe. perceber quando um abraço é um abraço ou o cumprimento forçado de pêsames a alguém que, por estar tão perto, não se pode estender a mão.

08/05/2009
Terça-feira, Junho 21, 2005

por garantia
Contou todos os beijos que ganhou até chegar em casa. Depois, foi retirando-os do corpo, um a um, de lugares que só ela sabia, e os fechou numa caixa. Aquela que dorme sob o travesseiro dos seus sonhos mal-dormidos. Estão ali guardados, pois que um dia, pode ser que lhe faltem.

Domingo, Junho 19, 2005

classificados
Compra-se uma estrela. De sexta a décima grandeza. Pode ser de segunda mão. Troco por casa, carro, telefone, terreno na lua. Fazemos qualquer negócio. Tratar aqui.

08/05/2009
Quinta-feira, Junho 16, 2005

lei da gravidade
era uma vez uma estrela que gravitava em torno de um pequeno planeta. não era assim como um sol, a estrela. seria quase um eclipse, se algum outro astro lhe viesse ver de perto. margeava o planeta a distância, curiosa de um mundo que não conhecia. era um lugar de terra, rochas, e sabia de um mar que, à noite, embalava com antigas canções o sono do planeta. de longe, a estrela vivia das sobras. se alimentava daquilo que o planeta recusava. das canções que o mar soprava e ele não ouvia; das histórias que a terra contava, e ele desperdiçava. aquele não era um planeta qualquer. era o astro que a estrela habitava, uma moradia do lado de fora, uma casa ao redor, um desaconchego espalhado pelo caminho. e aquele vazio ela sempre levaria consigo.

08/05/2009
Quarta-feira, Junho 15, 2005

delay – iche iche

* esse blog está com um atraso em relação a minha vida, então, considerem aí uma semana, uma semana e meia atrás…

* ganhei o novo disco de Nick Cave & Bad Seeds, B-Sides & Rarities, é o disco é liiiiiindo. mas recomendo apenas para fãs no mais alto grau de vício, como eu. ah… o disco tem uma versão liiiiinda de deana, que era uma música que eu não gostava…

* sexta-feira, entrevistei Ariano. terça-feira, entrevistei Carpinejar. e ainda teve um fim de semana no meio. Fico pensando que, às vezes, a vida pode ser justa.

* a dissertação, sim, amigos, está caminhando…

* José Teles, sempre ele, gravou um disco lindo para mim… Willy Mason. baixem no slsk, na mula, onde quiserem… tem a ver com bob dylan, é um blues indie, com poucos elementos, som meio cru. bom pra namorar.

* então é isso.

 

dias contados
é um corpo que não se estende além de seus próprios limites. apenas seus olhos se alongam na direção do mundo. e ela vê. mais do que os olhos poderiam. mais do que lhe pede a alma. carrega a alma arrastada pelos olhos. obrigando-a a respirar para fora. ela compreende o tempo, a passagem das horas, mas sabe que seus dias estão contados. guarda os momentos que se foram num cofre. estão trancados a chave para não perder o cheiro do presente. ela fecha as gavetas, lacra os armários e imobiliza os livros da estante. espera que um dia, ao seu lado, possa desembrulhar sua ausência. e vai falar de tudo o que fez enquanto você buscava o mundo alheio a si mesma. ela vai sussurar da chuva que batia na janela, da respiração intranqüila nas noites que sonhava, dos beijos que viu na rua e não teve coragem de roubar. ela vai contar das suas luzes que brilhavam a distância e da mariposa que era, rasgando-se entre vidraças. mas ela é a filha mais velha de uma longa família. é a mais obediente. não sabe dar um passo que não seja consentido. aguardará até que você a permita. ela só chega até onde a mão se alonga. não vai pedir. mas vai sonhar, desejar e esperar, imensamente, que você a resgate e puxe pelas mãos. que você queira ouvi-la. que você deixe o seu corpo repousar ao lado dela.

08/05/2009
Domingo, Junho 05, 2005
suzanne 2
falo da minha casa. aquela sem portas e janelas, que deita-se alva às costas de um rochedo. à noite, pelas frestas dos seus cômodos que se movem, eu posso sentir um animal à espreita. tem mais medo de mim, do que eu dele. na pele negra e opaca, esconde a camuflagem perfeita. confunde-se com o céu escuro, mas eu o vejo pelos brilho dos olhos. deixei armadilhas em todos os cantos da casa. armei um laço em cada quarto. mas ele se move devagar, pressente artimanhas e salta sobre elas, como se fosse possível não tocar o chão. é um animal livre. gosta da minha casa, mas não me quer por perto. para vê-lo mais próximo, arranco pedaços de minha carne e espalho pelos cantos da casa. espero que ele venha comê-la. que me devore os nervos e me beba o sangue. e que, depois de alimentado, não queira mais ir embora.

08/05/2009
Terça-feira, Maio 31, 2005

nome
eu coleciono pequenas promessas que não foram cumpridas. um sorriso que nunca chegou a acontecer. uma lista qualquer sobre um assunto sem importância. uma leitura inédita na minha caixa postal. uma música que alguém ouviu e disse que eu não poderia viver sem ela, que gravaria para mim, mas nunca me revelou o nome. é porque sei que os nomes, eles não são assim tão importantes quando já sabemos que são óbvios. guardo as promessas com cuidado, para não perdê-las no emaranhado das coisas palpáveis. um dia, quem sabe, poderei fazer com elas uma lista, um texto, uma música. e, talvez, ganhar um sorriso, enfim.

 

08/05/2009
Domingo, Maio 29, 2005

sem título
e se eu precisar das tuas mãos para medir as minhas? dos teus sapatos para imaginar teus pés . do teu copo para calcular meus goles . da tua roupa para pesar meu corpo . do teu café para pensar no açúcar . dos teus braços para aferir o inverno . dos teus ombros para contar meus cabelos . da tua boca para saber da minha . do tua nuca para inventar meus beijos . do teu olhar para desejar o espelho . da tua ausência para contar as ruas . da tua voz para usar uma desculpa . do teu sorriso para querer mais?

08/05/2009
Quinta-feira, Maio 26, 2005
das pérolas
era uma menina do sertão que avistou uma concha do mar. era a primeira vez e ela não sabia de nada como aquilo. um alumbramento. ela chegou devagar, mas nada no mundo era tão devagar quanto à concha. ao seu primeiro movimento, a concha se fechou. estava ali ao seu lado, inteira e íntegra, e brilhava alva entre a areia e o sol. a partir daquele momento, a concha era tudo o que a menina queria. e é assim ainda hoje. mas as conchas, vocês sabem, não se dão a ver assim tão facilmente. a menina tinha vindo de longe. trazia muitas histórias da viagem e uma bagagem pesada, que foi aliviando pelo caminho. estava muito cansada. ela parou ali. naquele ponto onde todas as coisas lhe pareciam imutáveis. admirava a leveza ambígua da concha. uma beleza desenhada pelo tempo, pelas curvas de sal sopradas pelo mar. a menina lhe adivinhava uma pérola. mas as conchas, desconfiadas, não se abrem para o mundo. a menina era ainda muito tola das conchas e então tentou tocá-la. rabiscou suas bordas com um dedo, bem de leve. a concha permanecia imóvel, mas a menina sentiu que ela se retraía. teria se encolhido, se as conchas pudessem se encolher. ver, ela não viu… mas soube. que a concha engolira a pérola no exato momento em que fora tocada. que concha e pérola jamais seriam suas. inspirada por histórias infantis, ela derrubou uma lágrima sobre a pele ensolarada da concha. foi em vão. então, a menina parou ali. faz de conta que também é uma concha. mas pede a deus para que seja tocada. para que a outra, sensibilizada pela imobilidade da menina, queira também tomá-la. porque ela também se queria concha. ela também se queria pérola.

08/05/2009
Domingo, Maio 22, 2005

suzanne
minha casa não tem portas nem janelas. separa-se do mundo por longas cortinas brancas, delicadas, presas com finas tiras de seda vermelha, amarradas em laços displicentes. pela manhã, elas são transpostas pelo sol, que despe suas paredes brancas de todas as sombras, iluminando o meu mundo e te convidando a entrar. vem. e eu te trago pela mão…

minha casa não tem ao redores nem em tornos, pois que não existe centro, apenas cantos. neles repouso com o pó que se esquece de si, onde as aranhas tecem seus ninhos. minha casa é recortada em cômodos que se movem lentos para te ver mais de perto.

minha casa não tem muros nem torres, deita-se alva à beira de um rio nas costas de um rochedo. tem um ancoradouro tranqüilo, onde tu deixarás dormir o teu barco depois de atravessar mares indispostos de ondas turbulentas.

minha casa tem fruteiras no jardim e flores no quintal, para que eu possa te alimentar na entrada e para que tu possas levar meu perfume ao sair. e eu te darei laranjas e chás trazidos da china, depositados sobre uma toalha de linho branco forrada sobre o chão.

e tu me dirás teu nome. e te direi minha vida. e tu verás as palavras que rabisco nas paredes. e eu lerei as garrafas que trazes contigo. e tu me contarás uma história antes de dormir. e eu te darei a promessa que voltarás amanhã.

(com tema de l.cohen e citações de cohen e de joão cabral, sim)

08/05/2009
Quinta-feira, Maio 19, 2005

little mermaid avenue (ou da utilidade do mapa de bolso)
ela construía a geografia das cidades a partir do afeto. criava seus próprios mapas. eles eram pequenos, minúsculos até. havia pouca coisa que cabia nas suas ruas estreitas e descontínuas. ela apagava os traços que não lhe diziam respeito. sobrava umas três ruas de casarões gastos, dois restaurantes, um café, uma livraria, poucos bares, um pavilhão e talvez uma avenida. tinha também o ponto perdido de uma casa com varanda que ela nem sabia. e poucas histórias para contar. guardava os fragmentos desses lugares como quem esconde um tesouro…
duas frases adiante, ela prendeu o ar, recolheu os dedos que desejava nos olhos, os olhos mesmo, e sentiu o gosto de embotamento que nasce das coisas que nunca chegam a acontecer…
então, ela desejou que as coisas fossem mais simples, fáceis e talvez um pouco menos impenetráveis. quis que o mundo, pelo menos o seu mundo, doesse só um tantinho menos, que não pudesse ser tão rapidamente inundado pelas chuvas que agora sufocavam a fragilidade do seu mapa…

08/05/2009
Sexta-feira, Maio 13, 2005

é por isso que eu gosto deles

E se eu for o primeiro a prever
e poder desistir do que for dar errado?

Ah, ora, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser aceito a condição.

terra do nunca
deixa eu falar da tua beleza e de tudo que eu vi em ti. porque eu, lindo, enxergo através do tempo e percebo no movimento das estrelas coisas indizíveis. eu sei da tua onisciência, mas deixa eu falar dos sonhos que tive contigo, das tuas mãos, do teu olhar, da tua imagem refletida. deixa eu te dizer o quanto percorri os caminhos que dão em ti, mas as pontes do teu palácio estavam erguidas, as portas foram trancadas, e as janelas eram inalcansáveis para mim. deixa eu te falar das flores que, em vão, roubei para te entregar. deixa eu beijar tua face e olhar para ti enquanto dormes porque, agora, é tudo o que eu sinto.

08/05/2009
Quarta-feira, Maio 11, 2005

réstia
era assim porque, desde então, todas as noites ela recebia um aviso. ela sentia algo. era uma estranheza do mundo que lhe chegava. uma aura de lua cheia, uma estrela cadente, um comenta, um relâmpago, um clarão. uma carta rasgada, um texto cifrado, um número indefinido, um e-mail errado, um bilhete ilegível. mas ela se acostumou com aquilo. no início, era como um medo, temia uma premonição. então, o costume. depois, desejo. esperava pelo vulto de sonho não-revelado. ao pôr-do-sol, começava inquieta. talvez ansiosa. olhava o céu limpo e imaginava. dali a mais algumas horas, seria comunicada. num caderninho, anotava sensações intraduzidas em linhas seguidas. quem sabe, um dia, poderia compor com elas uma carta, um tormento, um diário de inmemórias, um álbum de desrecordações.

08/05/2009
Segunda-feira, Maio 09, 2005

eu ainda não disse a vocês.
eu gosto muito de chuva. de todas elas. de chuvisco fininho de desenho infantil, que cai com céu azul e nuvens brancas, a tempestades que fecham o tempo. eu aprendi a gostar da chuva ainda menina. porque chuva no recife é só chuva. mas chuva no sertão é água de verdade. vem escura e ligeira, rasga o céu com relâmpagos e trovoadas e num instante aquele peso todo começa a desabar. então, é noite às 2h da tarde. eu aprendi a correr para rua sempre que alguém prenunciava: hoje está bonito pra chover. porque, no sertão, quando é bonito, chove. eu ficava na rua a brincar com o vento, que fazia pequenos redemoinhos, levantando as folhas no mormaço para antecipar a chegada dela. a chuva. e eu só voltava para casa quando ela ia embora. “menina, não tome chuva.” mas era a chuva que me tomava. foi num dia assim, semana antes do natal de 1987 (tanta gente boa nem tinha passado do jardim da infância) que meu pai me contou: a nossa chuva, agora, vai chover no recife. ainda me lembro fazendo as malas. o recife era aquele lugar cheio de mar de dia e de luz de noite, onde eu brincava nas férias. o recife era aquele lugar barulhento, calorento, “peguento”, agitado e distante onde eu me divertia. mas eu sempre voltava pra minha chuva. naquele natal, eu deixei para trás um namoradinho e três amigas sinceras. amigas até hoje em dia. naquele natal, eu deixei para trás o primeiro beijo, manguito de comer na bacia, o melhor pé de siriguela do mundo, a casa mais linda do mundo, o maior quintal do mundo, o melhor cachorro do mundo, o avô mais inteligente do mundo (que me contava as melhores histórias de assombração), minhas duas avós, a melhor tia-avó do mundo e o melhor tio do mundo. hoje, quase todos já me deixaram. naquele natal, eu chovia pra dentro. naquele natal, o primeiro no recife, eu estava no sertão. e eu estou no sertão ainda hoje. hoje, eu sou aquele menina.

08/05/2009
Domingo, Maio 08, 2005

a ostra e o vento

ela vivia na praia a recolher garrafas. eram coloridas, de todos os tempos e tamanhos, vedadas com cera e esperança. colecionava, assim, cartas nunca endereçadas a ela. com as garrafas, ela inventava lanternas para ler fragmentos de mensagens cifradas. e gostava tanto tanto delas. colava os papeizinhos na parede de seu quarto, para reler à noite, antes de dormir, e sonhar para si amores alheios. como num quebra-cabeça, imaginava e rearranjava os sentidos. colocava-se no mundo, naquele outro mundo, e partia em devaneios. esperava o dia em que, de dentro da garrafa, em vez de uma missiva perdida, lhe viesse resgatar um gênio…

08/05/2009
Quinta-feira, Maio 05, 2005

código morse

* juro que não é preguiça, é puro cansaço. ainda tô no jornal. sem tempo para escrever. também meio sem assunto, sabe como é a dissertação terminando, essas coisas…

* ah! a dissertação. agora “só” falta reescrever a introdução e escrever a conclusão. que conclusão? :p

* ontem fui pro anjo solto. chego lá e tem o maior número de peruas por metro quadrado que já vi naquele lugar. dani (da abajour lilás) tava impressionada. ângela (do anjo solto) tava se perguntando porque o povo invadiu o bar dela. eu acho que o musique devia estar lotado e elas resolveram visitar um lugar exótico. sei lá. :p :p

* tem um moooonte de novidade alheia, mas eu não posso contar :p :p :p

08/05/2009
Terça-feira, Maio 03, 2005

eu tenho invadido teus arquivos, silenciosamente, à noite, para roubar tuas palavras. vou assim me ornando dos teus encantos. com o mistério das frases que deixas pela metade, dos sentidos que teimas em não completar. eu tenho invadido tuas estantes… percorro com os olhos, sorrateiramente, antes que me vejas, os livros que ainda não lestes, as obras inacabadas, as lombadas gastas e os títulos lidos, marcados e corroídos pelo tempo. vou infiltrando meus livros entre os teus. um poema aqui, um diálogo acolá, perturbando assim a ordem dos teus sentidos. eu tenho me instalado nas tuas músicas. me aproprio dos sons e dos ruídos que ouves e me coloco neles, sem fazer barulho, acrescentando canções que são a minha história. eu tenho invadido os corredores por onde passas. espreito pelas frestas, pelas fechaduras, me ocultando nas sombras para soprar meus sonhos nos teus ouvidos, enquanto dormes ainda menino. vou assim, tornando familiar a minha presença ausente no teu mundo, até que eu te seja tão comum que tu nem sequer me percebas…

08/05/2009
Sexta-feira, Abril 29, 2005

um tradutor, plis

: * * * diz:
menino, estás conseguindo entrar no blog, é?

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
aham

: * * * diz:
deixei um comment para vc no carraspana

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
o mew n eh o k~ça mew….

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
eh o amigo dele mew

: * * * diz:
hã????

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
eh q eu soh irmao da mina q ele veio dormi na baia

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
dae ele entro no msn ..

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
e agora eu entrei na net e abriu o msn dele

: * * * diz:
aaaaaah

: * * * diz:
desculpa

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
n da nda mew

: * * * diz:
manda um beijo pra ele, tá?

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
flw kra

# olha que eu fumo e cuspo fumaça de gasolina # diz:
aham

aham?

08/05/2009
Quinta-feira, Abril 28, 2005

feliz aniversário para Mag
Porque você é o meu amigo mais absurdo, que tem sempre as melhores piores histórias que, mesmo quando são difíceis de acreditar, eu creio, porque eu sempre acredito em você. Porque você só me escuta quando eu digo “Mag, tô mal, preciso conversar”, e mesmo assim não me escuta muito. Porque você me deu os melhores esporros da minha vida, e todos foram merecidos. Porque você é polêmico, briguento, fala alto, gesticula, não tem medo de dizer as coisas, fala sem pensar (feito eu) e encara as histórias de frente, mesmo quando foge delas. Porque você adora contar as vantagens que só você tem, e eu adoro ouvir, porque elas são a sua cara. Porque toda unanimidade é burra. Porque você não tem medo de pintar o cabelo de vermelho, e teme coisas tão mais simples, que só eu sei. Porque você não faz questão de mostrar que é bonito e tem o melhor pior estilo largadão i wanna be cafuçu, mas nunca vai ser cafuçu. Porque você é contraditório. Porque você muda e permanece sempre o mesmo. Porque você é generoso (mesmo quando não me escuta). Porque você sempre me mostra como o universo masculino funciona (e eu sou eternamente grata por isso) e acha que entende tudo das mulheres. Porque você fez chorar algumas das minhas melhores amigas e ainda assim, mesmo passional como sou, eu não consegui desgostar um pingo de você. Porque eu amo brigar com você e as nossas discussões são as melhoooooores ever e sempre me fazem pensar duas vezes, mesmo quando eu discordo veementemente. Porque para você eu fiz esse post com letras maiúsculas. Porque você é foda e para você eu escrevo palavrões. Porque você gosta dos beatles e não tem nada melhor do que ver sua cara de superioridade quando eu digo que “não, eu não gosto dos beatles”. Apesar de você ser rubro-negro. Porque eu te amo muitão e vou estar sempre torcendo por você, sempre. Porque às vezes eu acho que você ainda precisa aprender muitas coisas nessa vida, mas, maternal que sou, queria te pegar no colo para que doesse um pouco menos. Porque se eu fosse escrever tudo o que quero, esse post não acabaria nunca. Porque eu sei que você não pode ler esse texto, mas eu quis fazer assim mesmo. Mag, Feliz Aniversário, menino. Se cuide sempre! Beijos, Bonina.

08/05/2009
Terça-feira, Abril 26, 2005

eu hoje sou uma mulher morta
quem eu penso que sou? para imaginar que posso invadir a tua infelicidade com o desejo incontido de roubar as derradeiras flores do túmulo ainda aberto da tua dor, e tecer com elas uma guirlanda, para perfumar tua fronte e ornar aqueles que seriam os últimos minutos do teu sofrimento…
quem eu penso que sou? para imaginar que posso violar as insígnias do teu infortúnio, rasgar os selos que lacram o testamento da tua alegria para então dobrá-lo em centenas de barcos de papel, que desceriam ligeiros as águas de um rio límpido e fresco, arrastando todas as mágoas, e reescrever, com as palavras que restassem, uma nova história…
quem eu penso que sou? para imaginar que posso segurar os pilares da tua casa em ruínas e impedir que ela desmorone sob o peso da tua agonia…
quem eu penso que sou? para desejar ouvir tuas histórias, enxugar tuas lágrimas, deitar tua cabeça no meu colo e te fazer dormir…
quem em penso que sou? para imaginar que posso recolher as cinzas dos seus dias e lançá-las ao mar, desejando apagar o teu passado e erguer na areia o castelo do teu império, com janelas para o sol, cortinas vermelhas e badeirolas ao vento se, pelo que respiras, nosso tempo passou…
quem eu penso que sou? para acreditar que tenho as palavras, os sonhos, os beijos e os sussurros para preencher os teus espaços em branco, se nem teus vazios compartilhas comigo…
quem eu penso que sou? se quando eu dei por mim, já havias levado para longe a tua imagem, que evapora pelas brechas da paisagem e, por mais que eu tente, não consigo mais focar a beleza triste dos teus olhos, que teimam em se desviar dos meus…
quem eu penso que sou? se enquanto eu dormia outra veio em meu lugar…

 

 

fração de segundo
um homem cabe inteiro no mínimo gesto que ele faz ao descartar as cinzas do cigarro.

08/05/2009
Sábado, Abril 23, 2005

árvore da vida
gustav klimt agora habita meu corpo.
estou tão feliz. e não digo mais nada.
:)

 

08/05/2009

harvest moon
eu tenho uma cerveja para curar minha dor de cabeça. duas neosaldinas pra não acordar de ressaca. um cigarro para pensar na vida e outro para não pensar. uma rede para contar histórias. haagen dazs de chocolate para saciar o desejo de açúcar. a brisa da noite para dormir coberta. radiohead para chorar baixinho. camera obscura para beijar baixinho. troublemakers para dar uma festa. chico buarque para me confortar. fernando pessoa para me mostrar que nem sempre as coisas são tão simples assim, e à vezes são. lua cheia para dançar na rua. um sol para iluminar o seu dia. água morna para descansar. palavras doces para os amigos. as melhores piores roupas para não me abalar. um veneno ácido para corroer as feridas. e duas ou três coisas para soprar no seu ouvido…

08/05/2009
Quarta-feira, Abril 20, 2005

carlton red
ela tem a mania insistente de sentir saudade de saudade. é uma saudade estranha. uma saudade de futuro, que vez por outra lhe bate. mergulha nela como se do outro lado estivesse a última gruta de ar dentro de uma cidade submersa. a isso acendeu hoje todos os cigarros. aos pares. como num brinde. fuma quem acredita que pode expelir com a fumaça a ânsia do mundo. mas ela não se esvai com o ar. nem com os suores do corpo. consome-se apenas às vezes, com as lágrimas. porque essas doem. rasgam os olhos com sal para deixar-nos vivos. mas ela não tem mais lágrimas. por isso, anseia.

08/05/2009
Terça-feira, Abril 19, 2005

bento 16
já temos um novo papa. e perdemos aquele desfile de moda que era o conclave. sim, porque daniel belleza fez o melhor figurino do apr, mas nada se compara ao show de batinas rubras com vestidinhos soltinhos, brancos, por cima, né? era glam rock total. e tome passarela.

08/05/2009
Terça-feira, Abril 19, 2005

se eu contasse, você não acreditaria
ah, é porque ela é assim mesmo. usa reticências demais. e parênteses. se esconde nas entrelinhas imaginando que nunca será revelada… mas fala muito e tanto sem pensar. quando vê, as palavras estão todas ali, esparramadas. são como as contas de um colar de pérolas que se partiu. as bolinhas soltas, rolando no chão, escorrendo pelas escadas, caindo nos bueiros, como se sangrassem. ah, ela não consegue guardá-las consigo. sabe da preciosidade dos silêncios, mas eles lhe escapam. e ela morre por isso. como se dormisse, mas ela morre (até a próxima fala). porque calando ela nega a si mesma. e é difícil viver e negar. e ela vive. intensamente cada minuto. como se o próximo dependesse da força do agora para nascer. mas teme. e se envergonha. e nunca deixa de viver (mesmo assim). de dor em dor, coleciona passados. mesmo que nunca tenha conseguido alcançá-los. acredita neles. são como o ar que entope seus pulmões de poluição. no meio da fuligem que forra suas veias, ela vê. está bem ali. por ver demais, ela pede desculpas.

by Bonina

08/05/2009
Segunda-feira, Abril 18, 2005

meu próprio apr
shows:
los hermanos (top 1 – é amor)
superoutro
the legendary tiger man
leela
orquestra manguefônica (top 2 – é potência)

melhores momentos:
não tô nem aí para o placebo (blasé)
o rei da coxinha – com catupiri (baixaria)
entrevista relâmpango com o tiger man (trabalho)
me ensina a assoviar (incompetência)

piores momentos:
um monte de banda poser
ter perdido massacration e retrofoguetes (não fui no sábado)

vou me redimir:
tá, eu gostei de dois covers do beatles (mas eram covers, tá?)

08/05/2009
Sábado, Abril 09, 2005

era uma menina
era uma menina com uma caixinha de música. guardava uma bailarina, chave de diário secreto, anel de confeito, brinco de ouro, batom roubado da mãe, um arrependimento, duas frustrações, três medos, quatro ou cinco sonhos para o futuro e música. queria ser bailarina, queria ser trapezista, queria ser um anjo, queria morar sozinha. já tinha conseguido o último. mas às vezes aquilo dava um medo. medo assim de escuro, de medo, de solidão. e era tudo tão sozinho ali na caixinha de música. ah, mas um dia ela achou um espelho. era bonita aquela menina. era bailarina. levinha assim, ó. um sopro de menina. tinha a melhor saia do mundo, a bailarina. era pequena (mas era linda). ficava zangada (ainda mais linda). e às vezes chorava (aaah, bailarina). aí ela ouvia música. o tilintar da caixinha… ah, menina, um soprinho assim, ó… ô bailarina, sai do espelho menina que eu tenho tanto pra te mostrar.

08/05/2009
Sexta-feira, Abril 08, 2005

bora brincar de imitar yellow, que imitou irina?
e se o fim do mundo fosse hoje (já que eu nem falei do papa), eu queria que fosse com uma música assim, ó, com alguém cantando assim pra mim (mesmo que eu não tenha eyes black as coal…). a letra completa tá aqui, e o dono dela, claro, é nick cave.

and all the drunks pouring out of the dance halls
staring up at the smoke and the flames;
and the blind pencil seller waving his stick
shouting for his dog that lay dead on the side of the road;
and me, if you can believe this,
at the wheel of the of the car
closing my eyes and actually praying;
not to God above but to you, saying:

Help me, girl; help me, girl
I’ll love you till the end of the world
With your eyes black as coal
and your long dark curls

 

 

08/05/2009
Quarta-feira, Abril 06, 2005

desinventário
tinha um jeito estranho de entrar sem fazer barulho. mãos suaves, nem ruído de porta. corpo leve, os sapatos a ignorar o chão. chegava com sede e bebia a brisa ao lado da janela. observava o vôo das cortinas brancas sobre a rede azul-escuro, a pele brilhante dos azulejos estampados, a curva do rio ali adiante. a rua tinha ficado para trás, com seus barulhos, os movimentos alheios, a pressa, dois amores perdidos, um celular roubado, três livros que nunca lhe devolveram, uma chave que nunca achava na bolsa, e cento e poucos réis. era todo seu desinventário. sentia-se leve. dormiu ali, naquele mesmo instante, e teve um sonho bom. paira assim há 36 meses. um jeito estranho de não fazer barulho. ssssch, cuidado não acordar. 
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superestimar
v.1 t.d. atribuir (a algo) preço ou valor acima do razoável ou do vigente 2 t.d. atribuir (a algo ou alguém) qualidades ou características acima das reais.
foi o houaiss que disse 
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dormir bem
banho morno
sabonete de mel
perfume de lavanda

ah… e se vc tiver bebido muito, neosaldina também ajuda.

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clap clap clap
xxx, meu bem, seu aniversário foi uma delícia… diversão garantida ou seu dinheiro de volta! já tô me escalando para o próximo ano. a sessão madonna e britney foi a melhor. você sabe como apresentar pessoas.

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08/05/2009
Terça-feira, Abril 05, 2005

aderi a uma religião oriental
contei não? meu novo mantra é: preciso terminar a dissertação, preciso terminar a dissertação, preciso terminar a dissertação. (na verdade, leia assim: dissertaçáááuuuuoooommmm). Mas não funcionou até agora.
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e-mail lindo é isso
(as reticências…) aprendi a usá-las contigo, que não gostas das coisas finitas.
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tristeza é isso
eu tinha uma câmera digital emprestada. quer dizer, eu não tinha. agora eu não tenho mais ainda. porque tive que devolver (claro!). e agora não sei se a minha próxima compra vai ser meu ipod (o correto seria i-pode, hehehe) ou uma maquininha. e, seja lá o que for, vai demorar um tantinho. ai…

08/05/2009
Quarta-feira, Março 30, 2005
combinações imbatíveis (tudo isso por causa d’Ositio)

chocolate nestlé + formato de ovo de páscoa + meninas superpoderosas + reloginho de coração + ainda tem um todinho para mim !

praia + calor + muito calor + 30 graus + caldinho de caranguejo + cerveeeeeeeja

lugar bacana + comida bacana + gente bacana + conversa massa + viiiinho

festinha legal + música legal para dançar + gente legal para dançar com + jack daniel’s (que não dá sono)

amigos + noitada + qualquer bebida + master + música boa + conversa jogada fora

pense que não tenho do que reclamar
: )))

08/05/2009

claro que todo mundo já notou que todos os antigos (e os nem tão antigos assim) comentários sumiram, né? Deve ser a enésima vez que acontece isso por aqui. :(
paciência, amigos. (30 de março de 205)

08/05/2009

ah… tanto tempo sem vir aqui que até perdi o costume. tanta coisa aconteceu de lá para cá. mas estive tão feliz esses dias, que deu vontade de compartilhar. Foi quando eu soube que duas amigas há muito sem ninguém estão com caras legais. E dois caras legais, meus amigos, terminaram namoros por esses dias. Um tá bem tristinho. O outro se arruma logo logo. Mesmo assim, boa sorte a todos, para as histórias que começam e as que terminam, viu? saudades de todos.

05/05/2009
Quarta-feira, Outubro 27, 2004

era assim como se nunca. olhar no espelho e não se ver. pela janela, abismo. do beijo, saudade. do doce, passado. dos olhos, ternura. um ponto vazio e ainda por cima distante. começou a escrever uma longa carta. doía uma dor inconsolável. mas era tão baixinho que caía para dentro. ah, sofrer sem fazer alarde é um exercício de auto-piedade. deixa então eu me despedir? essa era a primeira vez na sua vida que gostaria de pular a parte da depedida. mas há depedida pior que um encontro casual depois de anos sem dizer adeus?

comentários:

Gravatar Filhotinha de Clarice Lispetor…isso
é que eu chamo de viagem sensorial…valeu como uma dose de vodka,aliás, uma bela dose…


Gravatar Triste, mas tão lindo…
:*


Gravatar Alguém disse que a felicidade não dá bons poemas… será? Seus textos (os que li aqui) são quase sempre tão tristes e, “et pour cause”, lindos.
Obrigada por sua visita (a primeira que recebi!)
Um abraço.
(Meu outro blog, mais antigo: http://www.kli.zip.net)


Gravatar ai, kliz, eu acho que a beleza é que é meio triste. sei não :)

moça com brinco de pérola

05/05/2009
Terça-feira, Agosto 31, 2004
moça com brinco de pérola (ou sobre sentimento contido 2)

não, não chegaria nunca, porque veio antes o momento breve da despedida, que também não houve. não, não bastaria nunca, porque nunca se pode parar depois do primeiro beijo. não, não passaria nunca, a febre, de tê-lo tocado com os olhos, se o visse com as mãos uma única vez. não, não poderia nunca sentir tão perto certas palavras doces, sem que lhe perturbassem para sempre os ouvidos. não, não poderia nunca beijar, dele, as mãos, nem lamber-lhe os pulsos, sem que depois não fosse castigada pelo vício e pelo veneno. não, não ousaria nunca, roubar, dos longos cabelos, o perfume ácido e químico, pois, se o fizesse, são saberia mais respirar sem eles. O tempo, longas pausas, o tempo, seus pensamentos, o tempo, e o seu desejo. era tudo o que ela podia dispor, dele, sem que lhe fosse decretada a morte de amor intangível…

 

comentário:

 bonina botando no gogó!

já te falei, já conversamos sobre esse teu post, já te disse que ele me dá frio na barriga e afins, mas preciso registrar aqui: perfeito.

você não gosta mais d’o sítio, mas o sítio ainda gosta de você, moçóila!

beijo grande,

Dolls

05/05/2009
Sexta-feira, Junho 11, 2004

Dolls (ou sobre como hoje estou fatalista)

E se um dia, e se um medo enorme, e se não. Porque todas elas evaporam feito éter. E agora? É só um vazio. Um nada dentro e em volta. E então ela tinha voltado ao começo, mas ela nunca sabia por onde começar. Noites em claro. Barulhos horríveis. E uma dor que não tinha como. Lágrimas, lágrimas, lágrimas? Ela implorava, mas nenhuma. No surprises. Talvez fosse para arrancar da pele. -E se não? -Vai doer muito. -Mais do que já está doendo? (olhar) Assim, arranque. (pausa) Eu não consigo. -Fraca. Ela sentiu o desprezo se jogando na face. E ela precisava dormir para acordar. As noites não lhe davam trégua. -A saída, por favor? -Volte para o começo. Mas ela não sabia como começar. Pelo medo, é sempre pelo medo. -E se um medo enorme? -Não o desafie.

 

Comentários

angústia pouca é bobagem…


Gravatar será a TPM? E se não? Mas como, não? Como não? TPM nada, meus sentimentos – você não respeita meus sentimentos! TPM… Meu sentimentos! Meus sais, ai, meus sais!, nunca caber, nunca saber quando cabe, nunca saber… Você nunca sabe sentir, nem sabe mentir que sente meus sentimentos. TPM… Não venha com isso de TPM! São meus sentimentos, é tudo, não vês? Não, não vês, decididamente não vês. Tá, tá bom, pode ter algo a ver com meus seios inchados, com minha cara de bolacha, com esse cabelo horrível e, enfim, com a proximidade da minha menstruação… MAS NÃO VENHA QUERER ESCONDER SUA INSENSIBILIDADE FRENTE AOS MEUS SENTIMENTOS POR TRÁS DA PORRA DA TPM!

(E como cantaria júlia: “Minha namorada é uma aprimoramento, é um aprimoramento, é um aprimoramento…”)


Gravatar hahahahah!!!! mag, definitivamente, eu odeio e amo você. bjocas

ok. me convenceu.


Gravatar ei, gatchinha, bora brincar de atualizar?

beijo no quengo,

05/05/2009
Quinta-feira, Maio 20, 2004
à espera do Dia misericordioso

Dizem que se chama Ausência e que sente uma dor, eternamente, mas sem saber onde. Dizem que, às vezes, ela sente assim como se escorresse por dentro e não parasse mais. Então ela senta, senta e espera a saudade passar. Dizem que é como se ela tivesse um vazio, mas isso ninguém nunca viu. Quando era menina, amava as Manhãs de Sol. Acordava antes delas, todos os dias, e corria para o jardim à espera dos primeiros raios. Brincava de sol durante toda a manhã, até que as onze-horas trouxessem o prenúncio do meio-dia. Conhecia cada pedra das Manhãs de Sol, e brincava de catalogá-las. À noite, ansiosa, não dormia. Solidária, contava as estrelas que rasgavam o céu em busca das Manhãs – pensava ela. Acontece que um dia, o Dia, pai de todas as Manhãs, exigiu da menina um beijo. Um beijo em troca das Manhãs de Sol. Mas ela não queria, aquele beijo, não queria. Dizem que ele ficou muito bravo. De castigo, ele lhe deu a lua para tomar conta. Fê-la jurar que ela, a lua, jamais despencaria do céu. Se se quebrasse, ele as mataria, as Manhãs de Sol, uma a uma. Agora, todas as noites, dizem que ela chora com as estrelas, agarrada à lua, à espera do Dia misericordioso em que possa, outra vez, ver as manhãs de sol. E talvez brincar com elas.

comentários

Belíssima fábula, bonina maria


Gravatar Mag, você é meu leitor número 1.


Gravatar Liiindinho.
E não de pouco lindo, mas de lindo singelo, leve e amoroso.
Lindinho
Lindinho
Lindinho.


Gravatar Jojo, você é que é linda, amore.
:)
e não é linda de pouco linda, não. Mas de muuuuito linda. Belíssima!

uma vez na vida, por favor, diga o que se quer ouvir

05/05/2009
Segunda-feira, Maio 17, 2004

uma vez na vida, por favor, diga o que se quer ouvir
(para o galego, chato, que fica me perguntando porque não escrevo)

faça o que você achar melhor. era sempre assim que começava nela uma certa tristeza. o que ela achava melhor? era ficar com ele. mas aquela frase era sempre permeada por um “sozinha”, que ficava subentendido nas voltas dos as e os mal pronunciados, e pareciam gritar nas palavras que ela queria não ouvir. mas é que mulher tem essa coisa de dobrar as camisas do marido quando ele viaja, só para sentir perto dele. mas, não, eles não podem perceber isso… faça o que você achar melhor é assim, se ela ficar é problema dela, se ela for é problema dela. se eles se divertem, ótimo; se ele não lhe der atenção, foi o que ela achou melhor. por que homem é incapaz de pedir um fica comigo por favor? eles estão certos. mulher é que tem essa coisa de ler os livros do marido quando ele não está, só para sentir a mesma poesia. faça o que você achar melhor? falta essa reunião e fica aqui até mais tarde. faça o que você achar melhor? escapa do trabalho duas horas mais cedo. faça o que você achar melhor? me beija. faça o que você achar melhor? se jogue da ponte, porra. ela odeia faça o que você achar melhor. faça o que você achar melhor é uma forma sonsa de dizer hoje não vai dar (e ela prefere o hoje não vai dar, diretamente e com todas as letras), é uma maneira cínica de colocar as coisas nos seus devidos lugares. aqueles lugares que ela nunca acha melhor. faça o que você achar melhor é uma promessa de impossibilidades. mas é que mulher tem essa coisa de continuar sentindo.

Comentários:

uma vez na vida, por favor, diga o que quer ouvir…

Não querendo perpetuar uma “guerra dos sexos”, preciso discordar frontalmente do teu texto, moça… Você já pensou na possibilidade de “faça o que você achar melhor” significar exatamente isso? Claro que algumas vezes nós esperamos determinados comportamentos e atitudes, mas quase sempre o cérebro estreito e simplório dos homens apenas quer que a mulher não arrume confusão e, por isso, prefere que ela faça exatamente o que quer, o que acha melhor…

Se vcs ficam ruminando possíveis significados obscuros e opressores por trás das nossas palavras, não temos muito a ver com isso…

Mas sabe como tudo seria mais facilmente resolvido? Se vocês dissessem o quê, exatamente, querem ouvir de nós… Facilitaria barbaridade a vida dos casais…

abraços
não-sexistas
do


Gravatar hahahaha… Mag, vc não existe. Faça o que vc achar melhor é o máximo do “ignore user” que se pode dar numa pessoa.


Gravatar Hummm, eu fico entre os dois comentários. O “faça o que vc achar melhor” pode ser usado como forte expressão de ignore, mas tb é como uma saída para evitar conflitos e deixar o outro um pouco livre para as decisões. O dia a dia em comum é assim, respeitando as vontades e individualidades. Mas claro que o “faça o que vc achar melhor” tem que ser usado com carinho, se não…


Gravatar êpa. “faça o que você achar melhor” NUNCA (entenderam? NUNCA!) vai servir pra evitar confusão. aliás, tá arranjando várias confusões ao mesmo tempo, porque: 1) é um saco tudo ter que ser decidido pela mulher; 2) a gente quer ouvir, porra, alguma coisa precisa; 3) podemos chegar num acordo; 4) faça o que você achar melhor é foda. (e eu poderia continuar até o número 30…)bonina, esse foi o melhor texto teu que eu já li, até agora. num pare não, mulé. mas faça o que você achar melhor. se não quiser postar mais nada, tudo bem… ;*

Rosa dos ventos

05/05/2009
Sexta-feira, Maio 07, 2004
Rosa dos ventos

Tudo começava soprando. Era um vento que vinha sem dizer de onde, passava pelas casas mesmo com as portas fechadas e avançava sobre as janelas a ponto de quebrá-las. Dava o que fazer até ele se acalmar. Ela prendia os cabelos e começava a reuni-lo. Suava horas seguidas, num esforço descomunal. Com os braços, ia empurrando as pancadas que se voltavam contra ela. O corpo inteiro tinha que usar, às vezes, para que as rajadas não escapassem. As brisas eram as mais perigosas. Pareciam suaves e doces, mas, cínicas, não se podia contorná-las senão com muita firmeza. É que as brisas fogem sorrateiramente, são capazes ainda de olhar nos olhos dela e sorrir enquanto passam pelas brechas, de mansinho. Quando ela via, já estava tomada por aquela mansidão, o pensamento longe, a pele arrepiada, os olhos fechados. Então, era preciso contê-las com severidade. Ela não podia brincar com as brisas. Se fosse para escolher, preferia os tufões. Esses batiam de uma vez, não dissimulavam. Mas obdeciam quando pressionados. Eles sabiam quando não podiam aparecer. Sabiam. Ela tinha consciência de sua força, por isso conseguia controlá-los. Eram imponentes. Ah, como amava a sinceridade dos tufões. Com eles travou suas melhores brigas, seu mais longos desacertos. Rodou no ar muitas vezes, até ser arremessada contra o chão e começar tudo de novo. Erguia os braços com autoridade e corria pelos campos abertos em que devastam os tufões. Terminava exausta. Mas tinha certeza de tê-los alcançado. Trancados num canto da casa, eles brincavam de girar até que ela esquecesse, novamente, o portão aberto. Posso sentir, agora, os passos dela levantando a grama do jardim. Que ventos será que trouxe com ela?

Comentários

Depois de ler o texto, quero sair correndo para a locadora e rever A Ostra e o Vento!
Lindo (re)começo, Bonina!
Bjsss


Gravatar Jojo, obrigada pela visita
: ))
bjs


Gravatar muito lindo, moça. Um tanto manoel de barros, um tanto Adriana Falcão e um muito Bonina…Jojô, A ostra e o vento é um dos filmes mais da porra que já assisti…Engraçado é que conheci a Leandra Leal neste Carnaval.

“Desculpa. Err… Eu não suporto tietagem, não costumo abordar famosos, e tal, mas precisava dizer que me apaixonei por você naquele filme, A ostra e o vento, se relacionando com Saulo (o vento) daquela forma tão infantil e meiga e sensual e terna…”

Do outro lado da minha vergonha, um sorriso amarelo global e uma olhada dicimabaixo – “Err… brigado” – me fizeram lembrar instantâneamente de todas as novelinhas idiotas que ela fez depois…

“Mas foi só naquele filme”…


Gravatar hahaha. Galego, você não existe. Ela é uma atriz linda, né? Amo A Ostra e o Vento, não entendo porque repercutiu tão pouco. A vi também na novela O Cravo e a Rosa (desculpem, ninguém é perfeito), e ela estava ótima também – hehehehe.


Gravatar ah, galego, desculpa não ter agradecido os “elogios” (sim, eu considero elogio, até adiana falcão), mas é que acho que eles não cabem a mim. bjos pra tu.
: ))


Gravatar Vamo brincar de dar prosseguimento às postagens, né, Bonina Maria?!?!


Gravatar Poxa, Galego, esse é só de sexta-feira!!! e nem sempre eu tenho tempo. desculpa.
: )


Gravatar bonina, peraí!o valor de “o cravo e a rosa” deve ser reconhecido. até eu (perceba o “até eu”) gostava de seu petruquiu (?) e dona catarina.mas vamos aos fatos:

1. galego suporta tietagem;
2. o texto é da porra, portanto, parabéns;
3. fico feliz com a sua volta, mulher!

por sinal, vai lá n’o sítio ler um texto que escreveram sobre vento, sopro e uma menina…

beijo grande pra você,


Gravatar Oi, Julia, você é sempre bem-vinda aqui, viu?
bjos!!!
(vou no sitio, sim)


Gravatar E agora, qual a sua desculpa pra escassêz de posts?


Gravatar Galgo,
juro por deus que quando vi que tinha um comentário a mais, sabia que era seu, e sabia o que dizia. A resposta talvez seja a falta de competência para tanto. hehehehe
bjslê:
http://www.digestivocultural.com…asp? codigo=1352

a última canção

05/05/2009
Segunda-feira, Maio 24, 2004

a última canção
(ou sobre lost in translation)

Ela sabia desde a primeira vez que ouviu que aquela era a música lenta da despedida. Ficou por ali, querendo partir, mas sem saber por onde começar. Mas ir embora não tem começo. É só levantar. Precisa nem olhar para trás. Acontece que ela estava imóvel. Os únicos músculos que conseguia mexer estavam na face, faziam-na chorar. Ela também respirava. E ainda havia o coração, que batia. E o descer de lágrimas, o vai-e-vem do peito e as batidas do seu coração se misturavam aos acordes daquela canção. E tornavam-na mais bela e mais triste. À sua volta, ela procurava qualquer coisa em que pudesse acreditar. Ela queria crer. Mas prova nenhuma não havia. Nem beijo, nenhum bilhete, uma chamada perdida no telefone, uma fotografia, uma pista sequer. Ela não tinha nem nada para levar consigo. Enquanto percebia, se levantava. Mas ela ainda não queria.

Comentários

Nunca se quer de verdade, mas se tem que ir, sempre…


Gravatar Ah, mag… à vezes se quer, sim! mas nem por isso é mais fácil.
bjs
: ))